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Separados no poder: Emília & Ricardo

O casamento político que venceu a eleição de 2024 entrou oficialmente naquela fase “dormindo em quarto separado e falando pela porta”. O que era aliança virou série de suspense. Emília Corrêa resolveu abrir o jogo e, em entrevistas, disse que Ricardo Marques começou a fazer “política para si”. Traduzindo para o português de rua: cada um pegou sua marmita e foi comer na varanda.

A senha do afastamento veio clara: “ele escolheu a política dele”, disparou a prefeita e logo depois, como em toda boa novela, começaram as exonerações dos aliados do vice. Diário Oficial virou praticamente um cartão de “obrigado pela participação, volte sempre”.

Ricardo, por sua vez, não quis entrar na treta no volume máximo. Em vídeo, disse que seu “posicionamento está nas ruas”. Ou seja: se Emília fala do gabinete, ele responde do povo. Estratégia clássica, boxeador que toma jab, mas levanta as mãos e mostra que está respirando bem.

O enredo ganhou mais tempero quando a esposa de Ricardo, Cecília Marques, entrou no radar das redes e da TV. Se antes era tensão, ali virou temporada nova no streaming. Emília respondeu, os portais repercutiram, e o clima ficou menos “harmonia institucional” e mais “roda de condomínio em assembleia”.

Nos bastidores, a leitura é que Emília aproveitou para reorganizar o tabuleiro mirando 2026. E, nesse rearranjo, quem ganhou destaque foi o delegado André Davi, hoje secretário, elogiado pela prefeita, querido pelo público e, pelo visto, cada vez mais sentado na primeira fila das prioridades políticas. Quem acompanha Aracaju sabe: quando o sorriso, a agenda e o elogio batem combinados, tem movimentação vindo aí.

Hugo Esoj também entra nessa equação, nomeado para a Emsurb logo no início, ajudou a consolidar aquele núcleo duro e disciplinado que todo governante sonha em ter quando a panela começa a ferver. Mas não pense que o estranhamento brotou de repente, como meme viral. Ainda em outubro, Ricardo pediu exoneração da Comunicação. Faltas em agendas, olhares tortos, silêncio calculado… o roteiro estava lá. Só faltava alguém dizer em voz alta. Em política, antes do rompimento oficial vem sempre aquela fase “não estamos brigados, só precisamos de um tempo”.

Do ponto de vista estratégico, Emília ganha controle total da tropa, mas paga o risco de transformar Ricardo em um opositor com vitrine própria e não qualquer vitrine. Ricardo Marques é reconhecido como um jornalista de princípios, com imagem sólida construída ao longo dos anos pela postura ética, seriedade e credibilidade que conquistou junto à população de Aracaju. Tem trânsito popular forte, sobretudo porque fala olhando no olho, sem afetação, sem cabresto político e sem medo do contraditório. E vice com microfone, histórico de fiscalização e confiança pública é aquele tipo de vizinho que, quando briga, a rua inteira para na calçada para ouvir e geralmente acredita nele primeiro.

Em suma, Emília reorganizou sua base com firmeza e método; Ricardo, por sua vez, optou pelo caminho das ruas, onde sempre construiu sua identidade pública. Aracaju observa tudo com aquele misto de curiosidade e serenidade, afinal, política por aqui é quase série semanal, e 2025 parece ter vindo como a prévia do grande capítulo de 2026.

Se o clima continuar nesse ritmo, a campanha terá enredo digno de streaming: bons personagens, movimentação estratégica e emoção na medida. A diferença é que, diferente da novela mexicana, aqui ninguém exagera o drama, ele acontece naturalmente, do jeito sergipano: firme, cuidadoso e com aquele toque de humor que só a nossa política consegue oferecer.

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