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Edivan Amorim: o maestro silencioso da nova geopolítica de Sergipe

A política sergipana viveu, nesta semana, um daqueles capítulos que fazem o eleitor suspeitar que roteiristas secretos andam escrevendo os bastidores do poder. Tudo começou com a saída do deputado federal Gustinho Ribeiro dos Republicanos, movimento que não nasceu agora, mas vinha sendo preparado em fogo baixo há meses. Gustinho, convém destacar, fez algo raríssimo no ecossistema político nacional: manteve a palavra. Sim, a palavra, aquela coisa antiga, quase folclórica, que muita gente diz ter, mas poucos conseguem sustentar quando o vento sopra na direção contrária. Desde as primeiras conversas com Marco Pereira, quando ficou claro que os Republicanos miravam em um projeto nacional robusto e um palanque de direita em Sergipe, Gustinho avisou: manteria o apoio ao governador Fábio Mitidieri. E manteve. Sem vacilos, sem meias-voltas, sem aquele malabarismo verbal tão comum em Brasília. Um gesto que, por si só, já o coloca na prateleira dos políticos convictos, honestos e cumpridores do que dizem.

Enquanto isso, no campo onde a política acontece de verdade, aquele que não aparece no noticiário, mas decide metade dele, estava Edivan Amorim. A tranquilidade com que ele opera merece um estudo de caso. O homem tem a serenidade de quem atravessa um terremoto equilibrando um copo d’água. Desde fevereiro, após sua saída do PL, começou a analisar com precisão cirúrgica o espaço político dos Republicanos. Edivan não faz movimentos bruscos, não anuncia nada antes da hora, não cria marola. Ele calcula. Observa. E, na hora certa, age. Resultado: trouxe os Republicanos para sua órbita sem levantar poeira. De quebra, ainda atraiu o Podemos, consolidando um reposicionamento de força que muita gente demorou para perceber, mas que agora está escancarado: a direita sergipana está se reorganizando, e está se reorganizando forte.

E, em meio a essa reorganização, surge a oposição que muitos juravam estar desorientada, desalinhada e desnutrida. Mas política, assim como o corpo humano, tem seus instintos de sobrevivência. Quando adoece, o organismo começa a recompor suas células. E é exatamente isso que está acontecendo. A oposição, que parecia cambaleante, voltou a se movimentar. E no centro dessa revitalização está Valmir de Francisquinho. Valmir tem uma energia que faz inveja a celular novo com bateria de 120%. É combativo, decidido, não se esconde e não desanima. Coloca o nome no jogo com coragem e disposição, mesmo sabendo que o terreno é duro, o desgaste é alto e as feridas, muitas vezes, ainda estão abertas.

Feridas, aliás, não faltam. Há rusgas entre Valmir e o deputado Rodrigo Valadares que quer chegar ao Senado com a pressa de quem sabe que janela política não fica aberta por muito tempo. Mas, se existe alguém capaz de reunir três lideranças magoadas, colocá-las na mesma sala, servir um café e reconstruir pontes, esse alguém é o próprio Edivan Amorim que também sabe perdoar a hora certa. Seu jeito sereno, sua parcimônia estratégica e sua capacidade de articulação silenciosa fazem dele um pacificador natural. Ele não impõe: ele conduz. E, na política, condução vale ouro.

Do outro lado do tabuleiro, o governador Fábio Mitidieri acompanha tudo com a atenção de quem sabe exatamente o peso político de uma oposição fortalecida. E aqui está outro ponto digno de elogio: Mitidieri não subestima o jogo. Ele entende que adversário fraco não fortalece ninguém, e que a disputa que vem por aí exigirá preparo, leitura de cenário e capacidade de resposta. Sua postura demonstra maturidade e compreensão de que Sergipe caminha para uma eleição mais intensa, mais disputada e mais séria do que a anterior.

No fim das contas, o que temos é um Estado politicamente fervendo. A temperatura atingiu 100 graus, a água já está em ebulição e ninguém sabe exatamente quando a panela vai começar a chiar. As conversas, os movimentos, as alianças e os realinhamentos apontam para um dezembro quente, daqueles que não esperam o verão chegar para pegar fogo. O eleitor atento percebe a mudança no ar. O tabuleiro está se movendo. As peças estão se rearranjando. E, se o ritmo continuar assim, Sergipe não terá apenas um novo capítulo político para assistir, mas uma temporada completa prestes a se tornar clássico.

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