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Zezé pede pra sair e o SBT entra em modo Patrícia Abravanel 

O Brasil acordou hoje todo atravessado, sem saber nem pra onde ia, com uma cena digna de sitcom, novela das oito e um reality mental no modo desmantelo total. Zezé Di Camargo, ele mesmo, o cabra que fez todo mundo cantar “é o amor que mexe com minha cabeça e me deixa assim”, acordou e largou logo: deu não com o SBT. Acabou foi tudo. Acabou seco, do jeito que só o próprio repertório explica: “esse amor acabou”.E se alguém perguntasse a Jackson Barreto como é que ele enxerga essa história toda, ele resolvia fácil, no maior estilo: “com esses óculos”. Pronto. Igual namoro que termina no status, com indireta atravessada, coração lascado e print correndo solto nos grupos.

Imagine comigo: eu, Bia Muniz, professora calejada, que já viu de tudo em sala de aula, já viu aluno dormir de olho aberto, já viu tese mirabolante em banca, já viu argumento criativo demais em fórum, já viu advogado tropeçar na própria petição e professor perder a paciência antes do café. Mesmo assim, nunca, em toda minha vida acadêmica, jurídica e jornalística, eu tinha visto um artista pedir publicamente para o próprio especial não ir ao ar. 

Mas aí a gente lembra que, depois que Wellington Camargo, irmão de Zezé, resolveu ser candidato a deputado federal por Sergipe depois de ter conseguido exatos 746 votos pra vereador em São Paulo, tudo a convite de Augusto Bezerra, o espanto simplesmente pediu exoneração. Pronto. Acabou-se o susto. Porque se Augusto Bezerra é professor de química, alguém precisa avisar que essa química não fechou. A reação não balanceou, o reagente sumiu e essa tabela periódica está completamente fora do normal. Tem elemento que nunca apareceu no livro didático e ligação que não se explica nem com muito laboratório. 

A partir daí, meu bem, tudo é possível, tudo é plausível e nada mais precisa de justificativa técnica. É aquele instante em que a gente só suspira, fecha o caderno e lembra Zezé cantando, em plena crise existencial: “por que será que tem que ser assim?”. Porque quando a realidade resolve virar experimento maluco, nem a professora mais experiente se atreve a corrigir no quadro.


Zezé gravou um vídeo na madrugada de ontem, naquele horário em que gente sensata está dormindo e o drama resolve trabalhar em turno extra. No vídeo, pediu que o SBT retire do ar o especial de Natal já gravado, num tom solene misturado com ranço. Motivo? Porque, no lançamento do SBT News, o presidente Lula e a primeira-dama Janja da Silva apareceram no palco, abraçados, sorridentes e felizes demais para quem esperava neutralidade com cara de velório. Aí Zezé, tomado pela dúvida existencial que ele mesmo eternizou, pareceu perguntar em silêncio: “por que será que tem que ser assim?”. E foi assim, entre o sono e a indignação, que nasceu o pedido mais improvável da televisão brasileira.

E aí a galera das redes surtou bonito, perdeu o juízo e abriu o modo tribunal digital. Não só porque Zezé largou o clássico “esse amor acabou”, que já nasce com cara de compilado de despedida, mas porque Patrícia Abravanel viu o Instagram virar pista de evacuação. Foram mais de um milhão de seguidores indo embora, um êxodo bíblico em pleno feed. E vamos ser honestos: uma parte dessa debandada claramente pegou carona em Janja, porque no Brasil cancelamento gosta de trabalhar em combo. É tipo promoção de supermercado: leva Lula, Janja vai junto no pacote. Resultado? Unfollow geral, comentário fechado e aquela sensação coletiva de “o que foi que aconteceu aqui?”. E, pra resumir o clima, nada mais justo do que invocar a filosofia musical de Márcia Fellipe, que cairia como uma luva nesse caos todo: “não me compare, não”. Porque nessa história ninguém quer assumir a própria culpa, mas todo mundo quer sair da foto.

Enquanto isso, Zezé foi cirúrgico no drama e largou logo a bomba: para ele, as filhas de Silvio Santos estariam desonrando o legado do pai. Tradução livre: mexeu com o patriarca, mexeu com tudo. E aí veio o complemento, daquele tipo que já nasce pronto pra virar meme: ele não quer seu especial associado a algo que, segundo ele, “não condiz com o pensamento da maioria do povo brasileiro”. Gente… essa frase tem drama, suspense, trilha sonora imaginária e close errado. É daquelas que você lê, relê e pensa: sério isso? Não à toa, virou combustível premium pra meme, figurinha e debate de grupo de família que vai render até o próximo Natal.

E cá entre nós, SBT… olha a ironia servida quente: uma emissora que já hospedou show de calouro, auditório lotado, competição de talento e até debate político agora vê o seu especial mais esperado ser cancelado por solicitação do próprio artista. Isso não é crise, é conteúdo premium para a internet. É aquele momento em que a própria realidade parece cantar “eu já não sei mais nada, se isso é amor ou ilusão”.

Afinal, se “Você vai ver” virou oficialmente “você vai não ver”, estamos vivendo a letra da música em tempo real, com direito a reprise emocional. O Brasil inteiro está naquele estado coletivo de curiosidade fofoqueira: será que na quarta-feira tem especial de Natal no SBT ou vamos assistir ao episódio piloto de “Zezé Apresenta: O Retiro Espiritual do Especial Invisível”? Ninguém sabe, mas todo mundo quer ver, mesmo que não vá ao ar.

No fim das contas, a TV brasileira só tem a agradecer. Drama, polêmica, cancelamento, unfollow em massa e trilha sonora pronta? Isso é o puro suco do entretenimento nacional. E eu, Bia Muniz, aqui do meu honesto 50+, registro tudo como mais um capítulo do folclore contemporâneo da telinha, aquele que a gente não aprende na faculdade, mas entende perfeitamente no sofá.

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