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A serviço do prefeito, Betinho enfrenta os professores de Socorro

O presidente da Câmara de Nossa Senhora do Socorro, vereador Betinho, decidiu atravessar uma linha que dificilmente permite volta. Ao recorrer à Justiça para tentar derrubar o mandado de segurança da oposição e ressuscitar um projeto de lei que prejudica diretamente os professores da rede municipal, Betinho deixa claro que sua prioridade não é a legalidade, nem a educação, muito menos o papel institucional do Legislativo. É política nua e crua, a serviço do Executivo.

A decisão judicial que barrou o projeto não surgiu por acaso. Houve irregularidades no processo de votação, falhas reconhecidas e um alerta claro: o rito não respeitou a lei. Diante disso, esperava-se de um presidente da Câmara responsabilidade institucional, correção de procedimentos e diálogo. Betinho escolheu o caminho oposto. Atacou quem denunciou a ilegalidade e tentou forçar, pela via judicial, a sobrevivência de uma proposta rejeitada pela Justiça.

Isso desmonta qualquer argumento técnico. O problema nunca foi jurídico. Sempre foi político.

Sob a presidência de Betinho, a Câmara abdica de sua função constitucional de fiscalizar o Executivo e passa a operar como linha auxiliar do prefeito Samuel Carvalho. Mesmo quando isso significa retirar direitos dos professores, enfraquecer a educação pública e ignorar alertas legais evidentes. Não se trata de um embate pontual, mas de uma postura recorrente, que transforma o Legislativo em extensão do gabinete do prefeito.

O mais simbólico, porém, é o percurso político de Betinho. Ele não surgiu sozinho. Foi lançado, formado e eleito sob a liderança de Jackson Barreto, figura central da política sergipana e responsável direto por sua primeira e segunda eleições. Jackson ajudou Socorro, construiu pontes políticas e abriu caminhos. Na terceira eleição, já como presidente da Câmara, Betinho não apenas se afastou dessa história como passou a agir como se ela nunca tivesse existido.

Em recente podcast conduzido pelo radialista e analista político Gessinho News, o próprio Jackson Barreto foi direto e constrangedoramente honesto. Disse que Betinho precisa valorizar os amigos e lembrou que ele esqueceu quem esteve ao seu lado. A resposta foi firme. A ausência de Betinho, ensurdecedora.

Esse esquecimento não é apenas pessoal. Ele se reflete na política que pratica hoje. Uma política sem gratidão, sem coerência e sem compromisso com quem sustenta o serviço público, como os professores. Ao comprar uma briga contra a categoria, mesmo sabendo das ilegalidades do processo, Betinho escolheu um lado. E não foi o lado da educação, nem da legalidade, nem da história que o colocou onde está.

A pergunta, portanto, já não é por que Betinho age assim. A pergunta que Socorro precisa responder é até quando a educação do município continuará sendo sacrificada para atender à vontade política de Samuel Carvalho, com a Câmara assistindo, aplaudindo e, pior, operando contra quem educa.

Porque quando o presidente do Legislativo luta contra professores, algo muito mais grave do que um projeto está em jogo. Está em jogo o próprio sentido de representação pública.

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