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Água falta, turista chega e a conta não fecha em Estância

Há crises que se anunciam com sirene. Outras chegam em silêncio, torneira seca e desculpa pronta. A de Estância, infelizmente, mistura as duas coisas. Falta água, sobra reclamação e cresce a sensação de que a IGUÁ Saneamento ainda não entendeu o tamanho da responsabilidade que assumiu ao operar um serviço essencial em uma cidade que vive, ao mesmo tempo, rotina urbana intensa e explosão turística no verão.

A insatisfação deixou de ser sussurro e virou declaração pública. O prefeito André Graça, aliado político, mas antes de tudo gestor pressionado pelo cotidiano da população, rompeu o protocolo e disse com todas as letras que não está satisfeito com o serviço prestado pela IGUÁ. Não é pouca coisa. Quando até quem está do mesmo lado da mesa começa a bater, é sinal de que algo está muito errado no encanamento institucional.

Desde dezembro, bairros inteiros de Estância convivem com interrupções frequentes no abastecimento, quase sempre sem aviso, sem explicação e sem previsão de normalização. Falta água nas casas, falta informação nos canais oficiais e sobra improviso na vida real. Moradores recorrem a baldes, racionamento forçado e compra de água mineral para cozinhar, beber e manter o mínimo de higiene. Água, que deveria ser direito básico, virou artigo de emergência.

O problema se agrava quando se olha para o outro lado da equação. Estância iniciou o verão de 2026 com crescimento superior a 30% no fluxo turístico. Hotéis cheios, restaurantes movimentados, praias recebendo visitantes de Sergipe, do Nordeste e de regiões mais distantes do país. O turismo responde positivamente às ações de divulgação, à beleza natural e à hospitalidade local. Mas turismo não se sustenta só com sol e mar. Precisa de infraestrutura básica. Precisa, sobretudo, de água.

É aqui que a conta não fecha. Como receber mais turistas, ampliar consumo, fortalecer a economia local, se a concessionária não consegue garantir abastecimento regular nem para quem mora na cidade o ano inteiro? Praia cheia e torneira seca não convivem por muito tempo. Antes de afastar turista, a falta d’água adoece gente, compromete higiene, pressiona o sistema de saúde e desgasta a imagem do destino. Ninguém escolhe passar férias onde tomar banho vira sorte.

A crítica do prefeito André Graça ecoa o sentimento das ruas. Não se trata apenas de falha operacional pontual. Falta planejamento, falta comunicação, falta respeito com o consumidor. O atendimento da IGUÁ, inclusive em pontos como o CEAC, também entra na lista de reclamações. Serviço essencial não admite resposta vaga, protocolo automático ou silêncio administrativo.

A IGUÁ precisa entender que concessão não é blindagem. Água não é favor, é obrigação. E obrigação se cumpre com investimento, transparência e resposta rápida. Se o verão trouxe crescimento turístico, ele também trouxe um teste de estresse para o sistema de abastecimento. E, até aqui, a empresa não passou.

Estância vive um paradoxo perigoso. Cresce no turismo, mas patina no básico. O prefeito faz o que lhe cabe: cobra, expõe e pressiona. Agora, a concessionária precisa sair do discurso técnico e apresentar solução concreta. Porque cidade nenhuma sustenta desenvolvimento com sede. E destino turístico nenhum sobrevive quando a primeira lembrança do visitante é a falta d’água. A paciência da população já acabou. A dos turistas pode acabar mais rápido ainda. E, quando isso acontece, não há campanha de marketing que resolva. Só água na torneira.

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