O PL em Sergipe vive hoje um daqueles momentos clássicos da política. Nem crise, nem calmaria. Transição. E transição, em política, nunca é silenciosa. Ela range, faz barulho, gera especulação e obriga os protagonistas a se mexerem. Quem fica parado vira nota de rodapé.
Na Alese, o PL conta atualmente com três deputados estaduais jovens, cada um com estilo próprio, ritmo próprio e eleitorado bem definido. Marcos Oliveira é, sem dúvida, o mais ativo do trio. Presente, articulado, participativo e com leitura clara do funcionamento da Casa, Marcos assumiu protagonismo legislativo, ocupou espaços, debateu, propôs e marcou posição. É o tipo de deputado que não passa despercebido nem nos corredores nem no plenário. Não por barulho, mas por constância.
Logo atrás vem Pato Maravilha, que aposta em uma política de comunicação direta, popular e leve. Pato conversa com a rua, com o eleitor comum, com quem não acompanha diário oficial, mas acompanha rede social. Não é pouca coisa. Política também é tradução. E ele entende o idioma da base. Já Netinho Guimarães segue outro caminho. Mais discreto, mais tranquilo, menos afeito ao holofote, mas com atuação constante e perfil mais reservado. Não faz espuma, mas também não some.
O pano de fundo dessa composição é maior do que os três mandatos. Depois de 19 anos, o PL deixou de estar sob a condução do grupo Amorim e passou às mãos do deputado federal Rodrigo Valadares, hoje pré-candidato ao Senado. E aqui começa a parte difícil do trabalho. Montar chapa nunca foi exercício teórico. É logística, conversa, promessa, frustração e muito cafezinho no interior.
Quem imagina Rodrigo Valadares parado, esperando o calendário virar, erra feio. Ele tem rodado Sergipe, conversado com prefeitos, lideranças locais, suplentes, ex-deputados e nomes emergentes. Chapa não se monta em gabinete climatizado. Se monta na estrada, no aperto de mão e no compromisso olho no olho. Rodrigo sabe disso e tem agido como quem entende que política não espera.
A matemática, porém, é cruel. O PL dificilmente manterá as três cadeiras estaduais. O cenário mais realista aponta para duas vagas. Muito em função da possível saída de Marcos Oliveira, a menos que haja uma reaproximação política mais ampla envolvendo Valmir de Francisquinho, Edivan Amorim e o grupo que orbita a prefeita Emília Corrêa. Política é feita de portas que se fecham e janelas que se reabrem quando convém.
No tabuleiro atual, o PL pode até perder uma cadeira, mas não perde relevância. Mantém musculatura, mantém presença e segue competitivo. Rodrigo, com veemência e energia, cumpre um papel ingrato, mas essencial. Reconstruir, reorganizar e disputar. Não há glamour nisso. Há trabalho.
No fim, o PL em Sergipe não vive decadência. Vive ajuste. E ajuste, em política, é sinal de que o jogo está sendo jogado. Quem ajusta, briga. Quem briga, disputa. E quem disputa, segue vivo. Mesmo que volte com duas cadeiras, o PL continuará sentado à mesa. Porque, no parlamento, não conta só quantos são. Conta o quanto pesam.




