Nos últimos dez dias, Fábio Mitidieri deixou claro que não está para brincadeira. Não é força de expressão, não é marketing ensaiado, não é frase solta de bastidor. É postura. É resposta direta. É leitura rápida do tabuleiro. O governador entrou num modo raro na política brasileira: corte rápido, serenidade alta e zero paciência para novela. Enquanto muitos ainda testam frases, medem o vento e fazem rodeios retóricos, Fábio responde. Curto. Limpo. Com endereço certo. E isso, em política, diz muito sobre maturidade e sobre quem está confortável no próprio papel.
Na inauguração da pedra fundamental do Hospital Deputado Pedrinho Valadares, por exemplo, não houve discurso inflado nem promessa abstrata. Houve foco e conexão com política pública concreta: “Esse hospital vai ajudar a assistência em Nossa Senhora do Socorro. Quando ele estiver pronto, podemos, por exemplo, fazer parceria para o ‘Opera Sergipe’… ampliando o acesso à saúde para Socorro e região.” Aqui, politicamente, o recado é claro: obra não é monumento, é instrumento. Ele ancora a fala no Opera Sergipe, programa já conhecido, o que transmite continuidade, planejamento e entrega. Ponto positivo: discurso técnico, sem ufanismo, com lastro administrativo.
Quando provocado sobre relações políticas, especialmente sobre ruídos e especulações, Fábio novamente não perde tempo com espuma: “O relacionamento com Jeferson Andrade está tudo certo e sem maiores problemas.” É uma resposta simples, mas cirúrgica. Não alimenta crise, não cria manchete paralela, não abre flanco. Politicamente eficiente: encerra o assunto sem dar palco ao conflito.
Ao falar sobre Emília Corrêa, prefeita de Aracaju, o governador escolhe um caminho que poucos escolhem, o da institucionalidade madura: “Ela está à frente da Prefeitura e tem conduzido com muita responsabilidade. Acho que cada líder político tem a sua visão política e eu respeito isso.” Aqui, Mitidieri evita o erro clássico de governadores inseguros: disputar protagonismo municipal. Ele reconhece, respeita e não invade. Acerto estratégico: preserva pontes e mantém a imagem de líder que governa acima das picuinhas.
No campo nacional, Fábio também não ensaia ambiguidade. Diz o que pensa e sustenta: “Eu reafirmo o meu apoio ao presidente Lula para as próximas eleições.” Goste-se ou não da posição, há um valor político inegável aqui: clareza. Ele sabe onde está, sabe com quem dialoga e sabe que indecisão custa caro. Politicamente coerente com sua base e com o arranjo nacional do seu partido.
Quando olha para a oposição, não romantiza: “A oposição em Sergipe é majoritariamente bolsonarista e naturalmente deverá apoiar um candidato da direita.” É leitura fria de cenário. Não provoca, não desqualifica, não subestima. Apenas descreve o campo adversário como ele é. Boa leitura política, sem erro de cálculo nem soberba.
E talvez o momento mais emblemático dessa postura “corte rápido” tenha sido ao tratar da eleição da Câmara Municipal de Aracaju. Sem meias-palavras, sem diplomacia excessiva, sem tergiversar: “Não fui consultado, não concordo com eleições antecipadas e entendo que isso irá gerar desgaste para as eleições estaduais… Portanto, entendo que a discussão deve se dar após as eleições… Dito isto, vamos focar no trabalho e discutir isso após as eleições.” Aqui, Fábio faz três coisas ao mesmo tempo: delimita autoridade, evita desgaste prematuro e puxa a pauta de volta para a gestão. Resposta madura, de quem pensa no calendário maior, não na vaidade do momento.
O saldo desses dez últimos dias é evidente: Fábio Mitidieri governa com tranquilidade de quem sabe onde pisa. Não responde com raiva, não se esconde no silêncio, não terceiriza discurso. Responde com serenidade, sagacidade e objetividade. É o governador que entendeu que política não é teatro permanente, é decisão no tempo certo.
Se há algum risco nesse modelo? Sempre há. Corte rápido exige leitura fina e autocontrole constante. Um erro de cálculo pode soar como frieza. Mas, até aqui, o governador tem mostrado algo raro: equilíbrio entre firmeza e calma. Em resumo: Fábio não corre. Fábio não grita. Fábio não enrola. Ele responde. E responde como quem está no comando do relógio.




