O PSB de Sergipe começou a dar sinais clássicos de partido que entrou na fase “cada um por si e Deus por todos”. Não foi um terremoto. Foi pior: foi aquela trinca fina na parede que o morador finge não ver, mas que cresce toda vez que chove. E quem resolveu apontar a rachadura, com a maior naturalidade do mundo, foi Anderson de Zé das Canas, com seu inseparável chapeuzinho de vaqueiro, uma espécie exótica de João Alves Filho versão agro pop do Agreste, Anderson falou o que muita gente pensa e poucos dizem: se o PSB não viabilizar sua candidatura, ele não se incomodaria em mudar de partido. Tradução simultânea do politês: ninguém vai morrer abraçado com legenda se não tiver palanque, fundo eleitoral e voto no horizonte. Simples assim.
Essa fala, aparentemente inocente, abriu a porteira. Porque quando um pré-candidato diz publicamente que pode sair, ele legitima o pensamento dos outros que já estão com a mala pronta, só esperando a janela partidária abrir. A política não gosta de silêncio constrangedor. Gosta de movimento. E o PSB começou a se mexer… para os lados. Nos bastidores, a palavra que mais circula não é “aliança”, é diáspora. Já se comenta com naturalidade a possibilidade de Cláudio Mitidieri, hoje no PSB e pré-candidato a deputado federal, migrar para o MDB. Se isso se confirmar, não é detalhe técnico. É sinal de que o MDB pode estar virando o novo porto seguro da vez, com mais viabilidade eleitoral, mais fundo partidário e mais musculatura política para 2026.
E aí o efeito dominó começa a ficar interessante. O MDB, fortalecido, passaria a abrigar nomes estratégicos, ampliando chapas e criando cenários mais competitivos. Daniela Garcia, por exemplo, teria uma condição muito mais confortável numa chapa de deputado estadual robusta. Marcos Franco, por sua vez, poderia fechar uma chapa federal já com cara de competitiva, mas sem voto. Enquanto isso, o PSB correria o risco de virar aquele partido que todo mundo respeita, mas poucos querem disputar eleição. No meio desse gingado todo, surge a pergunta que ninguém responde em público, mas todo mundo cochicha: e Zézinho Sobral? O vice-governador, que hoje preside o PSB, ficaria onde se o vento mudar de vez? Se até o presidente do partido vira dúvida no tabuleiro, é porque a coisa deixou de ser especulação e virou cálculo. Para completar o quadro, há ainda o efeito colateral em outros partidos. Fala-se que Valadares Filho pode perder o controle do Solidariedade, o que abre espaço para rearranjos improváveis.
Tudo começou com uma frase. Só uma. Dita com aquele chapéu de vaqueiro eternamente pousado na cabeça e o ar despreocupado de quem jura que estava apenas “respondendo uma pergunta”. Anderson das Canas talvez não tenha se dado conta, mas o personagem mais exótico do Agreste acabou puxando o fio solto do PSB. Ao admitir, com a maior naturalidade, que pode mudar de partido se não houver viabilidade, ele fez o que muita gente bonita não teve coragem de fazer: disse a verdade em voz alta e o partido tremeu. No fim das contas, o chapéu deixou de ser figurino e virou sirene. Quando até o sertanejo começa a olhar pro céu, coçar o queixo e mudar o rumo do gado, é porque vem chuva forte. No PSB, a nuvem já está carregada. Agora a dúvida não é se vai chover, é quem vai se molhar e quem vai correr primeiro para outro telhado.




