Na política sergipana, há rupturas que não doem pelo voto perdido, mas pelo gesto negado. O que se desenha hoje entre André Moura e Ibrain Monteiro não é apenas uma divergência eleitoral comum. É um rompimento silencioso com história, memória e laços que atravessaram gerações.
André Moura nunca escondeu a relação de amizade profunda com a família Monteiro. Relação construída ainda nos tempos em que a política era feita mais à mesa do que nas redes sociais, mais com palavra do que com cálculo. Reinaldo Moura e Valmir Monteiro nomes que se cruzaram por décadas em Sergipe num fio contínuo de confiança, respeito e lealdade. André cresceu politicamente dentro desse ambiente. Ibrain também.
Por isso, quando André Moura lamenta publicamente a perda do apoio de Ibrain, o que se vê não é um político reclamando de aritmética eleitoral. É alguém falando de quebra de expectativa humana. “Achei que nossa amizade e relação familiar estariam acima da política”, disse André. Essa frase não é trivial. Ela carrega frustração, mas também perplexidade.
Ibrain Monteiro escolheu seguir o grupo político do prefeito Sérgio Reis, declarando apoio a Rogério Carvalho e Alessandro Vieira. É uma escolha legítima, claro. Mas escolhas também comunicam valores. E é aí que mora o desconforto. Porque, ao optar por esse caminho, Ibrain não apenas se afastou de André Moura. Ele se afastou de uma história que ajudou a construí-lo politicamente.
A política explica muito, mas não explica tudo. André, mesmo diante do gesto, manteve serenidade. Não atacou. Não expôs. Não retaliou. Entendeu o governador, entendeu o movimento de Lagarto, entendeu o jogo. Mas não escondeu a decepção com Ibrain. E não escondeu porque não é sobre Senado. É sobre lealdade.
Há quem diga que política não comporta sentimentos. Isso é falso. Política é feita de memória, símbolos e gratidão. Quando esses três elementos são ignorados, algo se perde no caminho. E é justamente isso que muitos veem agora. Ibrain, ao se alinhar com projetos que jamais caminharam com a família Moura, parece ter escolhido uma política sem raiz, sem passado, sem espelho.
A Bíblia ensina, no episódio dos dez leprosos curados por Jesus, que apenas um voltou para agradecer. Os outros seguiram a vida. Foram curados, mas não foram gratos. A metáfora atravessa séculos porque continua atual. Gratidão não é obrigação, mas sua ausência sempre diz algo sobre quem parte.
André Moura segue no seu caminho, com apoio do governador Fábio Mitidieri, com serenidade e com projeto claro para 2026. Ibrain segue outro rumo. A história vai registrar ambos. Mas também vai registrar quem manteve coerência com o passado e quem resolveu reescrevê-lo. Na política, como na vida, não é o cargo que define o homem. É a forma como ele trata aqueles que estiveram com ele antes do poder chegar. E isso, Sergipe, o tempo sempre revela.





Uma resposta
Está perfeito sua retórica sobre sobre gratidão de ambas as partes política não é só números é sentimento construção e lealdade
Você como jornalista tem coração e também tem a técnica de escrever
Parabéns