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Alessandro acusou, investigou… e absolveu André

Durante anos, André Moura foi citado como se fosse personagem fixo de um inquérito eterno que nunca chegou ao último capítulo. Acusações vinham, manchetes iam, mas provas nunca apareciam. O curioso é que, agora, quem ajuda a colocar ponto final nesse roteiro é justamente Alessandro Vieira, senador que construiu parte de sua trajetória política apontando o dedo para André e que hoje, sentado na cadeira de relator da CPI do Crime Organizado, precisou admitir o óbvio que sempre foi ignorado.

Em entrevista à Rádio Fan FM, Alessandro adotou um tom quase burocrático para dizer o que sempre faltou dizer com clareza. “Não existe uma previsão de convocação, pelo menos não pela minha parte como relator”, afirmou. E seguiu, desmontando qualquer expectativa criada artificialmente: “Dentro de um roteiro de investigação, ele não seria um alvo prioritário”. A frase soa técnica, mas o efeito é político. Afinal, quem por tanto tempo sugeriu gravidade agora reconhece que não há nem urgência, nem relevância investigativa.

Quando o assunto foi Anthony Garotinho, fonte frequente de acusações espalhafatosas, Alessandro tentou manter a narrativa viva, mas acabou esvaziando o próprio balão. Admitiu que houve apontamentos genéricos, mas precisou ser honesto com os fatos. “A transferência específica de valores e o pagamento de propina, nada disso foi afirmado ou provado até o momento.” Traduzindo sem juridiquês: falou-se muito, provou-se nada. E quem diz isso não é aliado, é o relator da CPI.

É aí que a contradição política aparece com nitidez. Alessandro passou anos alimentando um ambiente de suspeita e agora, quando ocupa o posto que exige responsabilidade institucional, trata o tema como aquilo que sempre foi: ausência de prova não sustenta acusação. André Moura, que já foi chamado de tudo, inclusive de “dono do INSS” em falas irresponsáveis do passado, atravessa esse capítulo com a serenidade de quem conhece o jogo e confia no tempo. Não reage, não dramatiza, não se vitimiza. Apenas permanece.

No fim, fica uma sensação estranha no ar. Alessandro parece viver aquele verso de A Vida Tem Dessas Coisas, quando se corre atrás de uma narrativa e se descobre tarde demais que ela não levava a lugar nenhum. “Me encontrei falando sozinho, sigo sempre sem destino.” André segue em frente, leve, enquanto o acusador de ontem ajusta o discurso ao peso da cadeira que ocupa hoje. A política, como a vida, cobra coerência. E quando ela chega, costuma chegar sem música de fundo, só com a verdade nua e simples.

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