Alessandro Vieira não perde a chance de fingir que é protagonista no teatro da crise nacional. Agora resolveu vestir a fantasia de herói do povo contra o Supremo Tribunal Federal e se jogou de cabeça nas acusações contra Alexandre de Moraes. No roteiro dele a cada eleição um inimigo novo aparece e não custa lembrar que quem hoje brada contra a toga ontem surfava tranquilo na onda dos votos bolsonaristas que nunca foram de verdade seus.
Nas redes o espetáculo ganha plateia. Allan dos Santos aquele exilado digital sempre pronto para um trending topic garantiu que Vieira disse um monte de verdades sobre Moraes e sua esposa. O detalhe é que por ali verdade virou commodity de temporada: cada acusação rende curtida cada denúncia é reciclada sem nenhuma preocupação com prova ou consequência. O importante é engajamento não substância.
O grande segredo que ninguém revela no perfil do senador é simples: ele nunca foi bolsonarista só pegou carona nos votos de quem precisava se livrar do PT. Essa flexibilidade é a marca registrada do oportunista de ocasião. Ano eleitoral chegou o figurino mudou e agora a pose de justiceiro serve para alimentar a ilusão de que existe oposição qualificada à Suprema Corte quando o que há mesmo é só fome de voto.
No fim Vieira grita crise mas quem ouve de perto percebe que é só ensaio de pré-campanha. Faltou coerência sobrou performance. O STF segue onde sempre esteve e Alessandro Vieira já escolheu o seu lado: o da plateia que nunca se cansa de mudar de lugar.




