Sergipe colhe hoje resultados inegáveis na área da segurança pública. Os indicadores melhoraram, o Estado ganhou reconhecimento nacional e regional, e isso não acontece por acaso. Há investimento, há estratégia e há um esforço institucional que precisa ser reconhecido. O governo do Estado tem avançado em políticas de segurança e isso se reflete no cotidiano da população, no turismo, no comércio e na imagem do estado fora de suas fronteiras. Ignorar esse quadro seria injusto e intelectualmente desonesto.
Justamente por isso, a insatisfação manifestada pelos oficiais investigadores, merece atenção cuidadosa, e não leitura apressada. A categoria não questiona os avanços estruturais nem desqualifica o trabalho do governo. O ponto central é outro. Valorização profissional acompanha resultado. Segurança pública não se sustenta apenas com planejamento e discurso, mas com gente motivada, reconhecida e adequadamente remunerada. Quando há ruído nesse elo, o sistema começa a emitir sinais de alerta que não devem ser desprezados.
O compromisso público anunciado pelo governador Fábio Mitidieri de receber a representação sindical criou expectativa legítima. O adiamento desse diálogo, ainda que compreensível diante de agendas e prioridades administrativas, acaba produzindo desgaste desnecessário. Não por má vontade, mas por percepção. Em política, percepção pesa. E quando uma categoria essencial sente que sua pauta perde espaço, o desconforto cresce mesmo em ambientes de avanço institucional.
O momento escolhido para a convocação da assembleia amplia a sensibilidade do tema. O Carnaval é um período de grande fluxo de pessoas, eventos simultâneos e pressão máxima sobre o aparato de segurança. Ninguém deseja paralisação, e isso está explícito no discurso dos próprios investigadores. Colocar o tema em debate é mais um pedido de atenção do que uma ameaça. É a tentativa de resolver dentro do ambiente correto, antes que o impasse se transforme em crise.
O melhor caminho segue sendo o mais simples e o mais eficaz. Diálogo direto, transparente e tempestivo. O governo tem capital político, tem resultados para apresentar e tem condições de construir uma solução equilibrada. A categoria tem legitimidade, histórico de contribuição e compromisso com o Estado. Quando esses dois lados se sentam à mesa, a tendência não é o confronto, mas o ajuste fino de uma política que já funciona. Segurança pública se fortalece quando resultado e valorização caminham juntos.




