Aracaju acordou em clima de festa para celebrar seus 171 anos, e desta vez a comemoração ganhou dimensão de capital que sabe festejar sua própria história. A programação preparada pela Prefeitura espalhou música, cultura, fé e atividades populares por vários pontos da cidade, principalmente pela Orla da Atalaia e pelo Centro Histórico. Não foi aquela celebração protocolar que passa despercebida. Foi festa de verdade, com artistas locais, nomes nacionais e a população ocupando os espaços públicos. Quem passou pela Orla ou pelo Centro percebeu rapidamente que Aracaju decidiu comemorar grande, com energia e com a cara do seu povo.
A programação musical começou ainda no início de março e abriu espaço para diferentes estilos. No Show Delas, as cantoras Raquel Diniz, Lari Lima e Tatah Santana subiram ao palco celebrando o protagonismo feminino. Depois vieram noites temáticas que deram ritmo à festa. No sábado dedicado ao gospel, apresentaram-se Juninho Alê, Marcos Semeadores e a cantora Maria Marçal, reunindo milhares de pessoas em clima de fé e música. Foi uma noite que misturou espiritualidade e celebração popular, mostrando que o aniversário de Aracaju também dialoga com a diversidade cultural e religiosa da cidade.
No domingo, a programação mergulhou nas raízes culturais com o chamado Show Afro, reunindo Samba de Terreiro, Afoxé Filhos de Gandhi, Afoxé di Preto e a cantora Ana Mametto. Foi um momento simbólico e necessário, valorizando tradições de matriz africana que fazem parte da identidade cultural sergipana. A sequência musical seguiu na segunda-feira com uma noite que misturou talentos locais e nomes nacionais: Chiko Queiroga abriu os shows, seguido por Guilherme Arantes, João Ventura e Xande de Pilares, formando um line-up que passeia pela MPB, pelo piano contemporâneo e pelo samba que o Brasil inteiro canta.
O dia oficial do aniversário, 17 de março, começou com momentos tradicionais que lembram a origem da cidade. A programação inclui missa de ação de graças na Colina do Santo Antônio e homenagem ao fundador Inácio Barbosa. Ao longo da tarde, o Centro de Aracaju vira um grande corredor cultural com feiras de artesanato, economia criativa e gastronomia no Beco dos Cocos, além de exposições e apresentações populares. Entre as atrações estão o grupo Samba de Salto, cortejo do grupo Batalá, trio forrozeiro Bola de Ouro, cortejo de sanfoneiros da Associação dos Forrozeiros Sergipanos, o grupo Peneirou Xerém e show do cantor Pedro Lua. É a cidade respirando cultura em cada esquina.
Mas o momento que promete fazer Aracaju parar e olhar para o céu será o espetáculo da Esquadrilha da Fumaça sobre o Rio Sergipe. As manobras dos aviões da Força Aérea Brasileira poderão ser vistas ao longo da Avenida Ivo do Prado, transformando o aniversário da cidade em um verdadeiro show aéreo. Junto com o espetáculo, o Centro recebe exposição de carros antigos, simuladores de voo, apresentações culturais e feiras populares. É aquele tipo de evento que faz criança vibrar, adulto sacar o celular para filmar e turista perceber que a capital sergipana sabe organizar festa com identidade.
E é impossível falar dessa programação sem reconhecer a marca política da prefeita Emília Corrêa. A gestão decidiu mudar a forma de Aracaju comemorar Aracaju. Em vez de uma celebração tímida, apostou em um calendário diverso, espalhado pela cidade, com artistas locais, nomes nacionais, manifestações culturais e participação popular. É o estilo direto da prefeita, muito conectado com a linguagem do povo sergipano. O resultado é uma capital que celebra sua história com alegria, orgulho e presença nas ruas. Aos 171 anos, Aracaju não parece uma cidade envelhecendo. Parece uma cidade renovando sua energia, com música no palco, cultura nas praças e avião riscando o céu como quem escreve no ar: parabéns, Aracaju.




