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Farra de toga: o Brasil acordou para o jogo dos penduricalhos

Trinta anos depois, o STF resolveu fazer aquilo que no Nordeste a gente chama de abrir a panela no meio da cozinha e deixar o cheiro espalhar pela casa inteira. Gilmar Mendes olhou para os penduricalhos e disse, em bom português jurídico, o que o povo já vinha comentando na calçada, no boteco e na feira, esse tempero está passando do ponto faz tempo. O teto virou conversa de papel e o contracheque virou prato cheio de criatividade. E o pior não é nem a existência, é a naturalidade com que isso foi sendo aceito, como se fosse só mais um costume da casa.

Nas redes sociais, a reação foi imediata e com aquele humor afiado que só o brasileiro tem. Grupos de WhatsApp ligados a magistrados viraram palco de ironia interna, com direito a juiz desejando “bom dia, amigos pobres” como quem ri para não chorar. É brincadeira, mas é daquelas que entregam mais do que qualquer relatório técnico. Porque quando a piada começa dentro de casa, é sinal de que o desconforto já passou do limite e virou consciência coletiva.

E o STF, percebendo que a conversa já tinha saído do controle, veio com a proposta de organizar a festa e limitar os penduricalhos a até 35% do subsídio. É aquela solução bem brasileira, não acaba, mas tenta botar ordem. Só que muita gente já não quer mais ajuste fino, quer revisão geral. A crítica cresceu, ganhou corpo e hoje tem voz em todo canto, da imprensa aos especialistas, todo mundo perguntando até quando isso vai continuar sendo tratado como normal.

A situação dos magistrados, no meio disso tudo, virou um retrato curioso. De um lado, há quem defenda direitos adquiridos e a complexidade da função. De outro, cresce a percepção de que o sistema perdeu a medida. E quando o próprio ambiente começa a rir de si mesmo, é porque alguma coisa precisa ser repensada com urgência. Não é só uma questão jurídica, é institucional, é simbólica e, acima de tudo, é pública.

No fim, o STF tenta resolver em 30 dias o que ficou décadas sendo empurrado como poeira para debaixo do tapete. E no Nordeste, quando a poeira levanta, não tem como fingir que não viu. O assunto está na rua, na boca do povo e na tela do celular. E dessa vez, diferente de outras, parece que não vai dar para abafar com conversa mansa. Porque quando o povo começa a entender, o silêncio deixa de funcionar.

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