1º de abril chegou e, em Sergipe, a política resolveu virar influencer. Entrou na trend, fez dancinha, olhou pra câmera e soltou aquele sorrisinho de quem sabe que o roteiro já está pronto. E quando aparece Alessandro Vieira, meu amigo, o algoritmo nem pensa duas vezes, entrega pra todo mundo. O povo assiste, ri e já entra no embalo, será que ele fez isso, será que fez aquilo, será que é assim mesmo ou é filtro político. Será?
No começo da música, o passo era firme, pegada de mudança, discurso alinhado com o bolsonarismo, dedo em riste e cara de quem ia arrumar a casa inteira. Será? A plateia vibrou, compartilhou, comentou. Mas aí o DJ trocou e, de repente, a batida já estava mais próxima do campo lulista. Será? E o público, que não perde um detalhe, começou a bater palma fora do ritmo, será que mudou mesmo ou só atualizou a playlist. Será que virou convicção ou só remix político. Será?
Aí vem o momento clássico do stand up político, a parte das promessas. Lá atrás era aquele discurso bonito, quase poesia, dizendo que não queria privilégios, que não ia entrar na vida boa de Brasília, que era diferente, quase um ser humano em extinção. Será? Bastou sentar na cadeira do Senado e pronto, o ar-condicionado funcionou, o conforto chegou, o cafezinho esquentou. E o povo, já com o dedo no replay, solta, será que não queria mesmo ou era só trailer de campanha. Será que era discurso ou teste de roteiro. Será?
Quando o assunto vira emenda parlamentar, aí a coreografia vira profissional. O discurso sempre foi de independência, nada de toma lá dá cá, nada de joguinho político. Será? Só que nos bastidores a música parece outra, cheia de negociação, ajuste fino, conversa reservada e aquele velho gingado que todo mundo critica até precisar. E o eleitor, já no modo comentarista, entra pesado, será que não articulou, será que não negociou, será que não jogou exatamente o jogo que dizia que não jogava. Será?
No auge da apresentação vem o solo, o momento estrela. Um dia se falava em candidatura maior, voo nacional, protagonismo, quase um show internacional. No outro, sumiu tudo, evaporou mais rápido que promessa em debate. Será? E junto disso, aquela fala clássica, é só um mandato, missão cumprida e tchau. Agora já está no compasso da reeleição. Será? E o público, já especialista na dancinha, não perdoa, será que era só uma vez, será que agora vai de novo, será que mudou de partido, será que ainda tem emenda, será que saiu do governo ou só mudou de lado na foto. Será?
No fim das contas, Alessandro Vieira virou praticamente um conteúdo recorrente. Não é só político, é episódio, é série, é trend semanal. Será? E em Sergipe funciona assim, pode mudar o discurso, pode trocar o ritmo, pode até mudar o figurino, mas o público acompanha tudo, grava, compartilha e comenta com aquela malícia de quem já viu esse filme antes. Será? E enquanto a música toca, o povo dança junto, mas sempre com um pé atrás e o outro pronto pra sair do palco. Será?




