O prazo está correndo e, como sempre, o brasileiro descobre que tem uma relação intensa com o título de eleitor… exatamente na última semana. A notícia é simples, quase educativa: dá pra resolver pendências presencialmente ou pela internet. Mas no Brasil, até o óbvio vira suspense. A pessoa passa três anos ignorando o documento e, de repente, acorda com um senso de cidadania digno de documentário da BBC. Milagre? Não. Eleição chegando.
A Justiça Eleitoral, que há tempos digitalizou boa parte dos serviços, basicamente disse o seguinte: “olha, dá pra fazer sem sair de casa”. E o brasileiro respondeu com sua tradicional coerência: entrou no site, ficou confuso, fechou a aba e decidiu enfrentar uma fila presencial só para garantir emoção. Porque resolver online é prático demais, e o brasileiro raiz desconfia de facilidade. Se não tiver fila, calor e alguém reclamando, parece até golpe.
O mais curioso é que o título de eleitor virou um personagem sazonal, tipo panetone. Só aparece perto da eleição. Ninguém lembra dele no resto do tempo, mas quando chega o prazo, ele ganha status de documento mais importante da República. É uma corrida contra o relógio onde o maior adversário não é o sistema, nem a burocracia, é o hábito nacional de deixar tudo para depois. E depois, no Brasil, sempre significa agora desesperado.
No fim das contas, a mensagem é clara: regularize sua situação, seja no conforto do sofá ou no calor humano da fila. Mas a realidade também é clara: muita gente ainda vai deixar para o último dia, porque tradição é tradição. E assim seguimos, um país onde a tecnologia avança, o sistema melhora, mas o brasileiro continua fiel ao seu esporte favorito, que não é futebol, é o clássico procrastinar e depois correr como se fosse final de campeonato.




