A política sergipana acordou com um recado direto, sem rodeio, sem meio termo e, principalmente, sem chance de interpretação criativa. Edivan Amorim colocou um ponto final naquilo que ainda era sussurrado nos bastidores como possível, uma reaproximação entre Rodrigo Valadares e Valmir de Francisquinho. E não foi um ponto final qualquer, foi daqueles com caneta grossa, sublinhado e com direito a aviso público, deixando claro que essa aliança não existe, não vai existir e sequer deve ser cogitada novamente.
E, sejamos francos, não é difícil entender o porquê. A tentativa de construção desse bloco passava por um roteiro que beirava o malabarismo político. Tirar Ricardo Marques do jogo, rifar o delegado André Davi e, com isso, abrir um corredor quase exclusivo para Rodrigo Valadares crescer no eleitorado bolsonarista, enquanto Valmir reorganizaria seu espaço sem concorrência interna. Era uma equação bonita no papel, mas completamente descolada da realidade emocional e política dos próprios envolvidos.
Porque política não é só número, é memória, é palavra dita, é ferida aberta. Rodrigo chamou Valmir de traidor, Valmir tratou Rodrigo como oportunista, Emília Corrêa rompeu com Ricardo, Ricardo reagiu publicamente, Eduardo Amorim elevou o tom contra Rodrigo. Não foi um desentendimento leve, foi ruptura exposta, com direito a ataque, resposta e plateia. E aí surge a pergunta que o povo faz sem cerimônia, quem acredita em reconciliação desse nível em pleno período eleitoral?
É nesse cenário que Edivan Amorim aparece como quem entende o jogo real, não o imaginário. Ao descartar a aliança, ele não apenas rejeita uma articulação, ele protege o próprio grupo de um desgaste previsível. Porque juntar peças que se atacaram publicamente, em curto espaço de tempo, não gera unidade, gera desconfiança dentro do próprio palanque. E palanque desconfiado perde voto antes mesmo de pedir. Enquanto isso, um personagem se mantém firme, talvez até mais firme do que muitos imaginavam. André Davi não recua, não negocia sua saída e não aceita ser peça de rearranjo.
No fim, o que Edivan Amorim fez foi simples e raro, encerrou uma novela antes que ela virasse vexame. Porque havia, sim, uma tentativa de costura, havia conversa, havia interesse, mas faltava o principal, clima político e confiança mínima. E quando isso não existe, insistir não é estratégia, é teimosia. Edivan escolheu o caminho mais duro, mas também o mais coerente.
E o resultado disso é um cenário mais claro, mais direto e, curiosamente, mais honesto. Cada grupo no seu campo, cada liderança com seu projeto e o eleitor com a responsabilidade de escolher. Porque, no final das contas, política pode até ser construída nos bastidores, mas é decidida na memória do povo. E essa, diferente de muita aliança, não aceita maquiagem.




