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Editorial: Sukita, o personagem da política sergipana

Em Sergipe, há políticos. E há personagens. Sukita, sem dúvida, pertence à segunda categoria. Manoel Messias dos Santos nunca foi apenas um ex-prefeito de Capela. Ele virou um enredo próprio, uma mistura de novela política com programa de auditório e pitadas de stand-up involuntário. Saiu de cuidador de carros, cresceu no ramo de veículos usados, virou empresário, conquistou a prefeitura de Capela e passou a tratar a política como quem apresenta um espetáculo permanente, onde ele sempre precisa ser o protagonista, mesmo quando o roteiro já acabou faz tempo.

Sua passagem pela prefeitura nunca foi silenciosa. Pelo contrário. Foi barulhenta, intensa e cercada de episódios que até hoje são lembrados em Capela e em todo Sergipe. Em 2018, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe condenou Sukita a 13 anos e 9 meses de prisão por corrupção eleitoral, desvio de verbas públicas e outras irregularidades, além da inelegibilidade que o tirou da disputa daquele ano. Antes disso, já havia prisão por lavagem de dinheiro e uma coleção de processos que transformaram seu nome mais em manchete judicial do que em agenda administrativa.

Como se não bastasse, o TRF5 ainda manteve condenação por improbidade administrativa envolvendo mais de R$ 700 mil em recursos públicos federais desviados. Depois veio nova condenação para devolver mais de R$ 600 mil por ausência de prestação de contas e, mais recentemente, multa por propaganda eleitoral irregular e fake news, após aquele famoso episódio do “site russo” e dos supostos milhões em combustível, como se Elon Musk estivesse abastecendo foguete em Capela. É o tipo de criatividade que faria até roteirista da Netflix pedir calma.

Mas Sukita não vive só de processo. Vive também de performance. Dança, brinca, luta, viraliza, provoca, some, reaparece e ainda colocou na própria casa uma espécie de monumento particular, praticamente um outdoor dizendo que ali morava “o maior prefeito de Capela”. A autoestima é tão alta que provavelmente paga IPTU separado. Sukita não faz política, ele faz merchandising de si mesmo. É um personagem tão intenso que às vezes parece que até ele esquece onde termina o homem e começa o espetáculo.

Nos bastidores recentes, o capítulo mais novo foi o famoso jantar com Valmir de Francisquinho. O encontro estava montado, a expectativa criada, o ambiente preparado e… Sukita não apareceu. A ausência virou a notícia. Mais do que faltar ao jantar, faltou à lealdade política. Porque até ontem ele rodeava o escritório dos Republicanos, pedia a bênção de Edivan Amorim, jurava alinhamento com Valmir e tratava tudo como fechado. Na política sergipana, promessa de Sukita já está quase entrando no IPCA: todo mundo sabe que existe, mas ninguém confia muito no valor real.

E não é novidade. Em 2022, prometeu apoio a Bosco Costa, recebeu estrutura, trio elétrico e articulação política. Quando chegou a hora de oficializar, virou a curva e apareceu apoiando Gustinho Ribeiro. Bosco ficou com o prejuízo e Gustinho com os votos mais caros da história eleitoral de Sergipe. Foi um apoio tão caro e tão curto que parecia aluguel de Ferrari para desfile de prefeitura. Sukita faz aliança como quem troca de camisa em micareta: depende da música que está tocando.

Agora surge novamente a especulação de aproximação com o governador Fábio Mitidieri, passando por Rogério Carvalho, enquanto sua ex-mulher Silvany e o deputado Cristiano Cavalcante observam tudo com a paciência de quem já conhece o roteiro. O problema não é Sukita conversar com um, com outro ou com todos. O problema é ninguém saber onde ele realmente está. Ele apoia Valmir, conversa com Rogério, flerta com o governo e ainda consegue deixar todo mundo com a sensação de que o único projeto realmente sólido continua sendo ele mesmo.

Capela conhece esse personagem de perto. O eleitor sabe quando é gesto político e quando é performance. Sabe quando é lealdade e quando é conveniência. Sukita virou uma figura folclórica, quase patrimônio imaterial da confusão política sergipana. Mas folclore também cansa. Porque uma hora o povo para de rir e começa a cobrar. E política, no fim, não se sustenta só com bordão, vídeo engraçado e placa de “maior prefeito” pendurada na parede de casa.

No fundo, Sukita é isso: um personagem que sempre entra em cena, mesmo quando ninguém chamou. Um homem que transforma jantar em crise, apoio em suspense e aliança em pegadinha. O problema é que Sergipe não está mais com humor para temporada nova dessa série. E Capela já aprendeu que, quando Sukita diz que está chegando, o mais prudente não é abrir a porta. É conferir primeiro de que lado ele estacionou.

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