Em São Cristóvão, a criatividade da gestão resolveu inovar: transformar lixo em susto bancário. A chamada taxa de manejo de resíduos sólidos chegou com cara de serviço público, mas com perfume de IPTU disfarçado. A Justiça olhou, coçou a cabeça e basicamente disse: “isso aqui está com cara de pegadinha institucional”. Resultado: suspensão imediata da cobrança, boletos barrados e o contribuinte respirando como quem escapa de mais uma conta inventada no fim do mês.
Quem puxou esse freio foi o vereador Lilo Abençoado, e o nome já ajuda: foi realmente uma bênção para muita gente. Atuante em São Cristóvão, com presença forte nas pautas populares e conhecido por não ficar assistindo calado enquanto o povo leva pancada no bolso, Lilo fez o que vereador de verdade precisa fazer: fiscalizar, incomodar e enfrentar. Enquanto muita gente se especializa em foto e discurso de rede social, ele foi para a Justiça e conseguiu impedir que mais de 31 mil imóveis entrassem numa espécie de loteria da cobrança compulsória.
A decisão foi clara e até didática. Não pode boleto, não pode carnê, não pode empurrar na conta de água, de luz, nem esconder no IPTU como quem coloca coentro no feijão sem avisar. A Justiça entendeu que cobrar apenas pela metragem do imóvel, sem considerar quantidade de lixo, frequência da coleta ou realidade de cada morador, é praticamente cobrar no grito. É o famoso “se sua casa é maior, seu lixo deve ser mais elegante”. A Constituição, felizmente, não aceitou essa piada.
E aqui fica o alerta para o povo de São Cristóvão: prestem atenção em quem administra e em quem fiscaliza. Porque quando o prefeito inventa moda para arrecadar e o vereador precisa correr para impedir, algo claramente está fora do lugar. Lilo Abençoado mostrou que mandato não é enfeite de Câmara, é instrumento de defesa do povo. Já a Prefeitura precisa explicar melhor por que decidiu tratar contribuinte como caixa eletrônico municipal. Porque governar não é criar taxa nova. É ter responsabilidade para não transformar o cidadão em patrocinador oficial da própria incompetência.




