A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 caiu no coração do brasileiro igual gol aos 48 do segundo tempo em final de campeonato. Bastou Carlo Ancelotti anunciar o nome do camisa 10 que o país inteiro entrou naquele clima de “agora vai”. O povo pode até reclamar da gasolina, do café e do imposto da blusinha, da falta d’água em Sergipe, mas quando aparece “Neymar convocado”, até quem jurava que tinha desistido da Seleção reaparece do nada vestindo amarelo e discutindo escalação na porta da padaria.
E convenhamos: Copa do Mundo sem Neymar parecia churrasco sem carvão. Desde a lesão sofrida contra o Uruguai, em 2023, existia uma dúvida gigantesca sobre o futuro dele na Seleção. Foram meses de cirurgia, recuperação e aquele campeonato brasileiro de opiniões que vai de “acabou pra ele” até “o homem vai voltar voando”. Pois voltou. Aos 34 anos, Neymar chega para sua quarta Copa carregando números que impressionam qualquer um: 128 jogos, 79 gols e 58 assistências pela Seleção Brasileira.
A convocação também deixou claro um detalhe que fez muito flamenguista abrir sorriso de canto de boca: a Seleção Brasileira virou quase uma extensão do Clube de Regatas do Flamengo. O clube carioca teve quatro nomes convocados: Alex Sandro, Danilo, Leo Pereira e Lucas Paquetá. Nenhum outro clube brasileiro colocou tanta gente na lista. O torcedor do Flamengo já está dizendo que Ancelotti apenas oficializou aquilo que parte do Brasil já suspeitava: a Granja Comary agora parece concentração rubro-negra com uniforme da CBF.
E a lista inteira veio daquele jeito que faz brasileiro virar técnico instantaneamente. No gol aparecem Alisson, Ederson e Weverton. Na defesa vieram Alex Sandro, Bremer, Danilo, Douglas Santos, Gabriel Magalhães, Ibañez, Leo Pereira, Marquinhos e Wesley. No meio, Bruno Guimarães, Casemiro, Danilo do Botafogo, Fabinho e Lucas Paquetá. No ataque, Endrick, Gabriel Martinelli, Igor Thiago, Luiz Henrique, Matheus Cunha, Neymar, Raphinha, Rayan e Vini Jr. Ou seja: talento tem. O problema agora é segurar o coração do brasileiro, que já começa a assistir vídeo de melhores momentos imaginando o hexa.
A reação nas redes sociais foi praticamente coletiva. Parecia réveillon fora de época. O torcedor comum, aquele que xinga a CBF de manhã e canta o hino à noite, resolveu abraçar Neymar de novo. Porque no fundo o brasileiro gosta é de craque, de drible, de ousadia e daquele jogador que pega a bola e faz o povo levantar do sofá antes mesmo da jogada terminar. O país pode até fingir modernidade tática, posse de bola e linha alta, mas o brasileiro ainda ama é um camisa 10 debochado resolvendo jogo grande.
No fim das contas, Neymar voltou porque o povo pediu sem nem perceber que estava pedindo. A convocação dele não foi só técnica. Foi emocional. E agora o brasileiro entra naquela fase clássica da esperança voluntária, olhando para Neymar, Vini Jr, Raphinha e companhia como quem já começa a separar carvão para o churrasco da final. Porque o torcedor brasileiro sofre, reclama, dramatiza, promete nunca mais assistir jogo… mas basta a Copa chegar que ele acredita tudo outra vez




