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Simone Marquetto pode virar a vice mais inesperada da direita

A possível entrada da deputada Simone Marquetto como vice de Flávio Bolsonaro começou a movimentar Brasília igual cafezinho grátis em corredor de Congresso. E o motivo é simples: Simone aparece justamente como o perfil que parte da direita procura para tentar suavizar o discurso mais explosivo do bolsonarismo raiz. Católica, prefeita por dois mandatos, parlamentar de perfil conciliador e ligada a pautas sociais e religiosas, ela surge quase como aquela pessoa que entra na discussão de família no Natal dizendo “vamos ter calma” enquanto os tios já estão brigando por política perto da farofa. 

Nos bastidores nacionais, o nome dela passou a ser visto como um movimento estratégico inteligente. Simone não carrega a imagem de política radicalizada e faz questão de repetir que conversa “do PT ao PL”, algo que em Brasília hoje é quase tratado como habilidade olímpica. Enquanto muita gente vive politicamente à base de grito, lacração e vídeo nervoso para rede social, Simone tenta vender uma imagem de pacificadora, de mulher de diálogo e de perfil administrativo. E isso encaixa exatamente no momento em que setores da direita tentam ampliar o eleitorado sem assustar o centro político. 

A verdade é que Simone representa um tipo de política que cresce silenciosamente no Brasil: conservadora nos costumes, religiosa, defensora de pautas familiares, mas sem o estilo incendiário que domina parte do debate nacional. Nos corredores do Congresso, ela é vista como alguém de boa articulação, trânsito leve e discurso moderado. E isso pode ajudar Flávio Bolsonaro justamente onde ele mais precisa: diminuir rejeição fora da bolha bolsonarista mais dura. Em outras palavras, enquanto Flávio entra com o sobrenome que mobiliza multidões, Simone aparece como o rosto que tenta fazer a sala respirar sem transformar toda entrevista em guerra civil de grupo de WhatsApp. 

E convenhamos: a política brasileira adora uma dupla improvável. O eleitor acompanha essas movimentações como quem assiste novela das nove com roteiro escrito por marqueteiro e direção de algoritmo. Se essa chapa realmente avançar, teremos um cenário curioso: de um lado, o sobrenome Bolsonaro ainda movimentando paixões, ataques e militância; do outro, Simone tentando vender equilíbrio, fé, gestão e serenidade. É praticamente a mistura do rojão com água benta. E em um Brasil cansado de briga permanente, talvez seja exatamente isso que parte do eleitorado queira ouvir daqui para frente

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