A leitura correta sobre a chegada de Susane Vidal ao Republicanos não é dizer que Emília Corrêa escolheu uma candidata única para chamar de sua. Essa é a versão pequena, apressada e confortável para quem quer transformar estratégia em fofoca de corredor. Emília, como prefeita de Aracaju e presidente estadual do Republicanos em Sergipe, não tem apenas Susane Vidal como pré-candidata a deputada federal. Ela tem a chapa inteira. Tem os nove nomes que o partido pretende colocar na disputa federal, tem os candidatos a deputado estadual, tem Valmir de Francisquinho e Priscila Filizola no projeto majoritário, tem Eduardo Amorim e André Davi no tabuleiro do Senado. Em partido organizado, presidente não adota um filho e abandona os outros na porta da escola. Presidente monta time, distribui espaços e tenta fazer legenda respirar por todos os lados. Emília assumiu oficialmente o comando estadual do Republicanos, com Valmir de Francisquinho como uma das principais lideranças do novo ciclo da sigla em Sergipe.
Susane Vidal entra nesse jogo como uma peça nova, forte e com nicho próprio. Depois de décadas de televisão, ela não chega como desconhecida pedindo licença ao eleitor. Chega com imagem, voz, memória popular e uma relação construída com quem a acompanhou na telinha por anos. Mas isso não significa que Emília tenha trocado Thiago de Joaldo, Ícaro de Valmir ou qualquer outro nome por Susane. Significa que a presidente do Republicanos abriu mais uma frente. Thiago tem mandato, atuação e base própria. Ícaro carrega a força política ligada a Valmir de Francisquinho e ao agreste, especialmente Itabaiana. Susane chega pelo campo da comunicação, da presença feminina, da identificação urbana e da credibilidade acumulada no jornalismo. A confirmação pública da pré-candidatura de Susane ao lado de Emília foi noticiada por portais locais, enquanto Thiago de Joaldo e Ícaro de Valmir tiveram suas filiações ao Republicanos divulgadas pela própria legenda nacional.
O erro de parte da análise política é enxergar disputa interna onde há montagem de chapa. Quando alguém vota em Susane Vidal para federal, ajuda a chapa federal do Republicanos. Quando alguém vota em Ícaro de Valmir, também ajuda. Quando alguém vota em Thiago de Joaldo, também ajuda. É matemática eleitoral básica, mas tem gente tratando como se fosse briga de condomínio em assembleia de garagem. O Republicanos quer ampliar votação, somar nichos e tentar fazer uma bancada mais robusta. Para isso, precisa de nomes diferentes falando com públicos diferentes. Um fala com o interior, outro com o eleitorado de mandato, outro com a força de Itabaiana, outro com o público de Aracaju, outro com mulheres, outro com a juventude, outro com segmentos profissionais. Partido que quer crescer não pode ter um só sotaque. Tem que ter coro. E, pelo movimento de Emília e Valmir, o Republicanos tenta cantar alto, mesmo com a oposição torcendo para desafinar no refrão.
A tentativa de criar ruído não começou com Susane. Antes, tentaram colocar Valmir de Francisquinho contra Priscila Filizola, insinuando que Priscila poderia não ser a candidata a vice no projeto majoritário. Depois, tentaram criar uma guerra entre Eduardo Amorim e André Davi, como se Edivan Amorim estivesse fritando André Davi para favorecer o irmão Eduardo Amorim. A resposta pública, segundo a leitura política dos bastidores, foi em sentido contrário: Eduardo e André buscaram demonstrar unidade, cada um reconhecendo o outro dentro do mesmo projeto. A diferença para outros campos é evidente. Enquanto André Moura e Rogério Carvalho não escondem suas distâncias políticas e eleitorais, no Republicanos o esforço público tem sido de composição. E aqui cabe um registro justo: André Moura, mesmo adversário em muitos tabuleiros, continua sendo uma figura de habilidade política reconhecida, alguém que sabe receber pancada, sorrir, calcular e seguir andando. Política também é isso. Levar tapa retórico e perguntar se tem café.
Agora a tentativa de ruído mira Susane Vidal, Thiago de Joaldo e Ícaro de Valmir. A narrativa é simples demais: Susane tiraria voto de Thiago, ameaçaria Ícaro e dividiria o partido. Só que essa conta esquece que eleição proporcional não funciona como duelo de faroeste, com dois candidatos no meio da rua e um sino tocando ao fundo. Funciona por soma de votos, densidade de chapa e distribuição de nichos. O Republicanos não precisa que todos disputem o mesmo eleitor. Precisa que cada um traga eleitor novo para dentro da mesma cesta. O mesmo vale para os estaduais, com nomes como Marcos Oliveira, Adailton Souza e Zominho sendo colocados em versões de intriga que tentam sugerir abandono, preferência secreta ou disputa interna. A política sergipana adora uma firula. Se não tiver crise, inventa. Se tiver reunião, chama de rachadura. Se tiver foto sorrindo, diz que foi sorriso de constrangimento. Daqui a pouco vão analisar até posição de cadeira em evento partidário como se fosse prova pericial.
O ponto central é que Emília Corrêa e Valmir de Francisquinho parecem trabalhar para transformar o Republicanos em um partido de chapa própria, com musculatura estadual e pretensão de disputar em várias frentes ao mesmo tempo. Governo com Valmir e Priscila Filizola. Senado com Eduardo Amorim e André Davi. Federal com Susane Vidal, Thiago de Joaldo, Ícaro de Valmir e os demais nomes da chapa. Estadual com os candidatos do partido. Essa é a lógica do chamado partido puro sangue, que tenta andar com as próprias pernas, carregar sua própria bandeira e reduzir dependência de arranjos externos. Pode dar certo ou pode não dar. A urna é quem decide, e a urna tem um senso de humor mais cruel que muito colunista. Mas o movimento é claro: enquanto adversários procuram rachadura, Emília tenta montar arquitetura. Enquanto tentam vender briga, Valmir segue empurrando o rolo compressor do interior. E enquanto alguns fazem fofoca de bastidor, o Republicanos tenta fazer o que partido grande faz: juntar gente diferente, somar voto e transformar barulho externo em combustível político.





Uma resposta
Excelente comentário!!! Está na hora de vc dá sua contribuição no rádio.