Garibalde Mendonça chega à disputa pela reeleição como um dos políticos mais experientes da Assembleia Legislativa. Já são muitos mandatos, muita sessão, muito cafezinho frio e muita conversa de bastidor. É aquele deputado que conhece a Alese pelo barulho da porta abrindo. Não costuma entrar em briga de foice, não grita sem necessidade e sabe elogiar o governo na hora certa, criticar na dose certa e sair da sala antes de o copo quebrar. Na política sergipana, isso é quase uma arte marcial.
Seu ponto forte é o trânsito. Garibalde conversa com governo, oposição, colegas, prefeitos e bases sem parecer que está vendendo tempestade. É tranquilo, articulado, sensível e querido dentro da Casa. Ocupa espaço institucional, participa de comissões importantes e sabe jogar o jogo parlamentar sem fazer pirueta no lustre. Não é político de frase explosiva nem de rede social pegando fogo. É mais estilo rádio antigo: às vezes chia, mas pega em todo canto.
O mandato dele tem pautas em infraestrutura, saúde, educação, cultura, esporte e demandas municipais. Também trabalhou temas como limites entre Aracaju e São Cristóvão, sementes crioulas, agricultura familiar e obras em Nossa Senhora do Socorro. É um mandato de bastidor, de encaminhamento, de pedido, de articulação. O problema é que, depois de tanto tempo na cadeira, o eleitor tem direito de perguntar: ainda é experiência ou já virou mobília do plenário? Porque mandato longo demais, em Sergipe, vira quase ponto turístico. O povo passa, olha e diz: “olhe Garibalde ali de novo”.
A crítica mais forte está justamente aí. Garibalde é moderado, e moderação pode ser virtude. Mas, se exagerar, vira silêncio com gravata. Ele sabe entrar e sair de qualquer ambiente, mas o eleitor precisa saber se ele também entra nas brigas certas, na hora certa, pelo povo certo. Porque deputado que nunca se arranha pode estar sendo prudente ou apenas evitando poeira. E política sem poeira, meu amigo, é caminhada de shopping, não estrada de interior.
Por isso, a reeleição de Garibalde deve ser analisada sem voto automático e sem homenagem por tempo de serviço. Ele tem experiência, respeito interno, articulação e serenidade. Mas precisa mostrar resultado concreto, entrega e coragem para além do bom relacionamento. Se a experiência dele ainda abre portas e resolve problemas, continua competitivo. Se virou apenas tradição de plenário, o eleitor pode sorrir, bater no ombro e dizer com carinho sergipano: “Garibalde, o senhor é gente boa, mas até cadeira confortável precisa trocar o estofado”.




