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Luizão Dona Trampi: folclore bolsonarista, mandato morno e urna desconfiada

Luizão Dona Trampi chega para tentar a reeleição como quem saiu de um grupo de WhatsApp, botou chapéu, ligou a câmera frontal e disse: “segura, Sergipe, que o Trump de Itabaiana tá na área”. Ele foi eleito em 2022 com 18.291 votos, surfando no bolsonarismo raiz, no barulho das redes e nessa mistura de deputado, influencer conservador e personagem de figurinha animada. Hoje no PL, Luizão tenta provar que não é só bordão, pose e vídeo com música de impacto.

Na Assembleia, mandato ele tem. Proposituras também. Mas o problema é que o personagem corre mais rápido que o parlamentar. O eleitor lembra do “Dona Trampi”, lembra da pancada na esquerda, lembra do estilo “acorda, Sergipe”, mas pode coçar a cabeça na hora de perguntar: “meu filho, e a obra? e a entrega? e o recibo do serviço?”. Porque meme ajuda a entrar, mas para voltar o povo quer mais que lacração com filtro de Instagram.

Luizão é competitivo porque tem público, identidade e barulho. Mas precisa tomar cuidado para não virar aquele político que parece trio elétrico em rede social e bicicleta sem corrente na vida real. Se conseguir transformar personagem em resultado, vem forte. Se ficar só no teatro conservador, corre o risco de descobrir que a urna não dá like, não compartilha reel e ainda cobra prestação de contas com a frieza de quem acordou cedo, pegou fila e quer saber: “Dona Trampi fez o quê por Sergipe, além de fazer Sergipe rir?”

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