Rodrigo Valadares passou um período com os olhos mais voltados para o tabuleiro nacional, especialmente para a construção do palanque de Flávio Bolsonaro em Sergipe. Não foi movimento pequeno. Flávio já deixou claro que Rodrigo terá peso decisivo nas definições do PL no Estado, ao lado de Moana Valadares. Agora, porém, Rodrigo voltou a pisar no chão sergipano com a velha marca registrada: fala dura, reação rápida e pouca paciência para política feita com luva de pelica. Ele voltou ao campo como quem entra em jogo atrasado, mas já pedindo a bola.
O retorno ocorre num momento em que o PL sergipano parece uma casa com muita gente na sala e pouca cadeira confortável. Rodrigo quer organizar o palanque de Flávio, consolidar sua pré-candidatura ao Senado e ainda administrar a relação com nomes que orbitam a oposição. É muita panela no fogo para uma cozinha só. E, como em Sergipe política não ferve em silêncio, cada movimento vira leitura, cada silêncio vira suspeita e cada postagem vira quase uma ata informal da guerra.
O caso Lúcio Flávio expôs bem esse desconforto. Lúcio deixou a presidência do PL Aracaju alegando conflito entre ser vice-líder da prefeita Emília Corrêa e comandar o partido municipal sob a condução de Rodrigo e Moana. A explicação faz sentido político. Não dá para servir dois cafés em mesas diferentes e fingir que ninguém percebeu o garçom correndo de um lado para o outro. Moana disse que nunca exigiu entrega de cargos nem rompimento com Emília. Pode ser. Mas quando o assunto cargo entra na conversa, é porque a fumaça já achou uma janela.
Nesse ponto, Lúcio saiu menor na estrutura, mas talvez maior na coerência. Preferiu largar a cadeira quente antes que ela virasse churrasqueira política. Continuou no PL, manteve o discurso bolsonarista e evitou virar personagem de um constrangimento permanente. Moana, por sua vez, tentou enquadrar o episódio com serenidade, mas a cena deixou uma pergunta no ar: se estava tudo tão confortável, por que Lúcio levantou da cadeira? Em política, ninguém renuncia a espaço por excesso de ar-condicionado.
Ricardo Marques também entrou em nova fase. Se antes tentava parecer mais moderado, agora aparece com discurso mais espinhoso, mais ácido e mais disposto ao confronto. É como se tivesse trocado o manual de boas maneiras por uma lixa política. Isso pode animar uma parte da militância, mas também aumenta o risco de transformar cada fala em incêndio. Ricardo tenta ocupar espaço no projeto do PL para o Governo, enquanto Rodrigo tenta manter o comando do tabuleiro. O problema é que peça demais se mexendo ao mesmo tempo às vezes parece estratégia, às vezes parece gaveta bagunçada.
No fim, Rodrigo voltou para Sergipe com missão dupla: montar o palanque de Flávio Bolsonaro e tentar provar que o PL tem comando local, discurso próprio e musculatura eleitoral. A dúvida é se ele está reorganizando a direita ou apenas revelando suas rachaduras com mais iluminação. Moana tenta segurar a narrativa institucional. Lúcio tenta preservar espaço sem romper pontes. Ricardo tenta crescer no grito calibrado. E Rodrigo, no meio disso tudo, age como quem sabe que recebeu a chave do partido, mas ainda precisa mostrar que a porta abre para dentro e não para o abismo.




