A campanha pelo Governo de Sergipe já parece Campeonato Brasileiro disputado em agosto, com carreata fazendo papel de torcida organizada, prefeito atuando como técnico e candidato ao Senado tentando aparecer na fotografia antes que alguém ocupe seu lugar. Fábio Mitidieri percorreu Ribeirópolis, Moita Bonita e Malhador transformando obras administrativas em material eleitoral. Levou prefeitos, lideranças e, no mesmo ônibus político, André Moura e Rogério Carvalho, dois candidatos ao Senado disputando as mesmas vagas e sorrindo como companheiros de equipe que sabem que, na hora do gol, cada um vai querer assinar a súmula. Houve escola, rodovia, adutora, estação de tratamento e uma coleção de anúncios. O governo levou tanta entrega para o palanque que só faltou inaugurar a própria carreata.
Valmir de Francisquinho, por sua vez, permaneceu momentaneamente fora das ruas para cuidar da saúde, mas sua ausência produziu um fenômeno curioso: ele não participou da rodada e, ainda assim, continuou entre os assuntos mais comentados do campeonato. Recebeu alta, seguiu para São Paulo, está clinicamente estável e realiza exames complementares. Eduardo Amorim cancelou compromissos e viajou para acompanha-lo, gesto que revelou amizade, lealdade e preocupação humana num ambiente em que candidato normalmente só acompanha outro quando há câmera ligada. Sem carreata, discurso ou música de campanha, Valmir demonstrou uma força que não se mede apenas pela quantidade de carros numa avenida. Quando a pausa de um jogador muda a conversa de todo o estádio, é porque ele continua sendo peça central na disputa.
Ricardo Marques cumpriu agenda de gabinete e gravação, enquanto a Operação Histograma continua circulando pelo ambiente político de Aracaju como aquele convidado que ninguém chamou, mas já puxou uma cadeira e pediu café. O vice-prefeito defendeu apuração completa, postura correta, porém sua candidatura precisará encontrar espaço entre os compromissos administrativos e os estúdios. Já Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina atravessaram as últimas 24 horas sem atividade pública suficientemente documentada. Talvez estejam preparando uma arrancada secreta; talvez o GPS da imprensa ainda não tenha encontrado o comitê. Em eleição, candidato sem agenda divulgada corre o risco de virar lenda urbana: muita gente garante que existe, mas ninguém consegue dizer onde foi visto.
O jogo, entretanto, continua. Fábio tenta converter governo em voto, Ricardo procura transformar exposição em alternativa, os candidatos menores lutam para entrar no radar e Valmir cuida da saúde sem deixar de ocupar o centro político da rodada. As carreatas vão crescer, os discursos subirão de temperatura e cada pesquisa será comemorada como se já fosse a apuração oficial. Mas eleição não se ganha por decreto, fotografia lotada ou buzina mais barulhenta. A campanha está nas ruas, o campeonato ficou mais quente e ainda há muita bola para rolar. Por enquanto, uns correm atrás do eleitor, outros correm atrás da câmera e alguns conseguem permanecer no jogo até quando precisam sair do campo por alguns dias. Isso, em política, costuma dizer muito sobre o tamanho de cada candidatura.




