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A CDL virou instituto de pesquisa: lojista precisa de apoio ou de palanque?

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Aracaju resolveu deixar o balcão por alguns dias e entrar na cabine eleitoral. A entidade realizou uma pesquisa registrada na Justiça Eleitoral sob os números SE-09441/2026, para os cargos estaduais, e BR-04041/2026, para presidente. A pergunta inevitável é simples: o que uma instituição criada para defender comerciantes pretende alcançar medindo votos? O lojista sergipano precisa de crédito, segurança, consumidores e menos burocracia. Pesquisa eleitoral, até agora, não pagou boleto nem encheu loja vazia.

A CDL afirma que pretende produzir informação de interesse público utilizando tecnologia, CPF e confirmação pelo WhatsApp. Foram 10.310 participantes, e o resultado colocou Fábio Mitidieri com 68,1%, contra 20,3% de Valmir de Francisquinho. Um placar muito diferente do apresentado por diversos levantamentos tradicionais. Quando uma entidade empresarial estreia nesse mercado com resultado de campeonato alemão, perguntar sobre a metodologia não é perseguição. É obrigação democrática.

Elison Bomfim mantém diálogo institucional com o governo estadual e circula em agendas relacionadas ao comércio, ao turismo e ao desenvolvimento econômico. Também é apresentado como presidente do Conselho Fiscal do Sebrae Sergipe. Isso demonstra proximidade institucional, mas não comprova manipulação, militância governista ou interferência no resultado. Fotografia com autoridade prova que havia uma câmera; não prova que havia um acordo.

A CDL precisa explicar quem aprovou a pesquisa, quanto ela custou, quem desenvolveu a plataforma, quem fiscalizou o banco de dados e qual benefício concreto foi entregue aos associados. Também deve esclarecer por que solicitou CPF, WhatsApp, sexo, idade, escolaridade, município, IP e identificação do dispositivo, além de demonstrar tecnicamente que esses dados jamais poderão ser relacionados à preferência política do participante.

O registro no TRE permite a divulgação, mas não representa um certificado de perfeição metodológica nem de neutralidade política. A CDL pode produzir pesquisas, desde que abra completamente a gaveta da transparência. O que não pode é deixar no ar a impressão de que abandonou o balcão do lojista para montar uma cadeira confortável na antessala do poder.

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