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A conta dos 30%: mais uma para quem fez o L?

O governo Lula prometeu simplificar os impostos, mas a conta apareceu com gosto de susto. O TCU calculou a CBS de referência de 2027 em 11,35%, contra 9,21% da projeção anterior. Se o IBS permanecesse em 18,70%, a soma teórica superaria 30%. Ainda não é alíquota definitiva nem aumento imediato dos preços. Mesmo assim, é mais uma notícia amarga para quem “fez o L” esperando alívio no orçamento. Em Brasília, a propaganda vende facilidade; o contribuinte pergunta quanto custará a embalagem.

Pense no cotidiano sergipano: um serviço de R$ 1.000 teria diferença aritmética de R$ 21,40 se os 2,14 pontos percentuais fossem integralmente aplicados à operação e repassados ao cliente. É exemplo ilustrativo, não previsão de reajuste: créditos, regimes especiais e tributos substituídos alteram a conta. Mas o risco importa. O salão em Aracaju, a oficina em Socorro, a pousada no litoral e o escritório em Itabaiana poderão enfrentar margens menores ou tentar elevar preços. Serviços intensivos em mão de obra merecem atenção porque salários não geram créditos como certas compras empresariais.

Na mesa da família, qualquer aumento efetivo em serviços pode disputar espaço com a feira, o transporte e a conta de luz. Um empresário pressionado talvez adie contratação, reduza investimento ou absorva parte do custo; outro poderá repassá-lo. Nada disso é automático. A reforma também prevê cesta básica com alíquota zero em produtos definidos, devolução de imposto a famílias elegíveis e créditos que podem favorecer a indústria e o comércio. Mas o cidadão não vive de promessa tributária: vive do preço marcado, do salário que recebe e do emprego que consegue manter.

O governo deve explicar, em linguagem que até quem está na fila do supermercado compreenda, por que a estimativa mudou, quem pagará mais e quem será beneficiado. A revisão foi calculada para preservar a arrecadação dos tributos substituídos; não prova que a União embolsará dois pontos extras de receita. Justamente por isso, Receita e Fazenda precisam abrir planilhas e simulações por setor, e o Senado deve prestar contas antes de fixar a referência. O sergipano tem direito de perguntar sem receber uma aula de siglas como resposta. Afinal, reforma que só é simples no discurso acaba parecendo mágica de Brasília: o ministro tira um coelho da cartola, e quem paga a ração é o povo.

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