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A imprensa não viu a marcha, mas viu o raio

Tem uma parte da imprensa brasileira que funciona como aquele parente que nunca aparece no aniversário, não ajuda na mudança, some quando o problema é sério, mas surge no velório querendo dar entrevista. Durante dias, um deputado caminhou mais de 250 quilômetros, debaixo de sol, cansaço, bolha no pé e silêncio absoluto das redações. Nada. Nenhuma câmera. Nenhuma pauta. Nenhuma “fonte próxima”. Nenhum especialista em caminhada democrática foi acionado. O evento simplesmente não existia.

Aí caiu um raio. Pronto. Ressurreição jornalística. De repente, a imprensa apareceu toda ofegante, microfone na mão, cara de quem sempre esteve ali, perguntando com ar grave se aquilo tudo não teria sido “irresponsável”. É curioso como a responsabilidade jornalística costuma começar exatamente no ponto em que o fato já aconteceu e dá para tentar enquadrar, distorcer ou reduzir.

Nikolas Ferreira respondeu do jeito mais simples e mais devastador possível. Disse que foi um fenômeno natural. E completou, com aquela ironia que dói mais do que grito: curioso que, durante toda a caminhada, nenhum de vocês apareceu. Agora vocês aparecem. Não precisou elevar o tom. Não precisou xingar. Bastou lembrar o óbvio. A imprensa não perdeu a história. Ela escolheu ignorar. E agora queria ser protagonista.

Enquanto isso, longe dos holofotes improvisados, o deputado estava no hospital. Visitando cada pessoa ferida. Uma por uma. Sem pose, sem espetáculo, sem tentar transformar dor em manchete. O tipo de atitude que não rende clique, mas constrói algo que certas redações já desaprenderam a reconhecer: coerência entre discurso e gesto.

E aí veio a fase dois do espetáculo previsível. Como não deu para fingir que a caminhada não existiu, era preciso fazer o que essa parte da mídia sabe fazer melhor: reduzir, desqualificar, enquadrar. Tentaram dizer que a marcha era “por uma pessoa só”. Tentaram colar oportunismo. Tentaram transformar um movimento popular em caricatura política. Porque quando não se encontra contrato estranho, não se acha dinheiro escondido, não aparece escândalo algum, sobra inventar narrativa.

É sempre assim. Quando não conseguem destruir com fato, tentam desgastar com insinuação. Quando não colam corrupção, colam polêmica. Quando não colam polêmica, colam clima. Literalmente. Se pudesse, essa imprensa colocaria a culpa até na previsão do tempo.

O problema é que o público já conhece o roteiro. Já sabe quando a cobertura é jornalismo e quando é birra ideológica mal disfarçada. Já percebeu que há veículos que só aparecem quando dá para atacar, nunca quando dá para acompanhar, entender ou explicar. Já entendeu que há jornalistas que odeiam fatos que não pediram autorização para existir.

No fim do dia, o saldo foi curioso. A caminhada terminou maior do que começou. As pessoas ficaram mais atentas. O recado foi dado. E a imprensa que tentou manchar saiu reclamando de “ataques”, depois de passar dias tentando atacar primeiro. Nada mais previsível. O raio caiu. Mas quem ficou no escuro foi outro setor. E não foi o povo.

Uma resposta

  1. Quando é que vcs vão acordar pra ver que Deus não está atendendo as suas orações e isso já faz muito tempo, em vez de ser acorda Brasil, não seja vcs que estão precisando acordar? E deixar de hipocrisias

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