A fala recente do ex-ministro Aldo Rebelo, ao comentar o discurso do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU, não foi apenas pertinente, foi necessária. Em um momento em que o Brasil busca se reafirmar no cenário internacional, Lula escolheu, mais uma vez, o caminho da submissão disfarçada de diplomacia, ao tratar da Amazônia como se fosse um ativo global à disposição de burocratas internacionais.
Lula foi à ONU para falar de assuntos internos do Brasil, como a prisão de um ex-presidente da República, e esqueceu que ele próprio, em tempos passados, também enfrentou condenações e prisão. Não é papel de chefe de Estado usar o púlpito das Nações Unidas para tratar de disputas políticas domésticas, muito menos para transformar a maior riqueza ambiental do país em mercadoria diplomática.
A Amazônia não é moeda de troca. Não pertence à ONU, nem a acordos internacionais. A Amazônia é território brasileiro, e a sua defesa é um dever constitucional intransferível do Estado brasileiro. A Constituição Federal, no seu artigo 1º, estabelece como fundamento da República a soberania nacional. E soberania não se negocia em conferência. Não se terceiriza para organismos que sequer conseguem resolver os próprios impasses geopolíticos.
Aldo Rebelo, com a experiência de quem já foi ministro da Defesa e da Ciência e Tecnologia, alertou com clareza: quando Lula propõe entregar à ONU o poder de decisão sobre a agenda climática na Amazônia, está abrindo mão do que o Brasil tem de mais estratégico, seu território, seus recursos, seu direito ao desenvolvimento.
Enquanto países industrializados continuam a poluir em larga escala, Lula parece disposto a transformar a Amazônia em um grande “jardim botânico do mundo”, sequestrando carbono para compensar a emissão de gases das potências que jamais abriram mão de seu modelo de progresso. E o Brasil, como fica? Sem desenvolver sua própria região, sem explorar de forma sustentável suas riquezas, sem garantir infraestrutura e dignidade à população amazônida?
Mais grave ainda é imaginar que as decisões sobre nosso território venham a ser tomadas por um organismo como a ONU, que, na prática, é comandado por um grupo seleto de potências com poder de veto. A ONU não resolve o conflito na Ucrânia, não tem força para deter os massacres no Oriente Médio, e é incapaz de lidar com as guerras civis na África. Mas agora pretende governar a Amazônia?
A retórica do presidente Lula esconde um entreguismo perigoso. Ao ceder espaço para que instâncias globais ditem as regras sobre o uso da Amazônia, o governo abre mão da soberania, do direito ao desenvolvimento e do futuro da região. Pior: faz isso em nome de uma agenda ambiental que, muitas vezes, serve mais aos interesses econômicos de fora do que às necessidades do povo brasileiro.
Não é a primeira vez que Lula defende que a ONU tenha soberania sobre temas ligados ao clima. Mas entregar a Amazônia é uma linha que não pode ser cruzada. Como bem disse Aldo Rebelo, “parece um discurso de cordeiro para uma plateia de lobos”. Um chefe de Estado não pode ir à ONU para buscar aplausos internacionais ao custo da autonomia nacional.
O Brasil precisa afirmar-se como potência ambiental e soberana. Defender a Amazônia é uma coisa; entregá-la, outra bem diferente. O que está em jogo não é apenas o território físico da floresta, mas a capacidade do país de decidir o seu próprio destino, de explorar suas potencialidades e de garantir prosperidade ao seu povo. A Amazônia é do Brasil. E não há mandato político que autorize um presidente da República a negociar essa verdade com quem quer que seja.





Uma resposta
Obviamente o clima na terra não é uma questão que diz unicamente à Amazônia. O organismo multilateral apto para discutir esta questão pode sim, ser a ONU. Ninguém está abrindo mão da soberania. A propósito, o discurso do presidente reafirmou exatamente que a soberania é inegociável.