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“Bessias” repetiu de ano e o Senado finalmente lembrou que existe

A rejeição de Jorge Messias ao STF foi aquele momento raro da política brasileira em que o Senado resolveu acordar, tomar café forte e lembrar que sua função não é apenas bater carimbo. Foram 42 votos contra e 34 a favor, quando ele precisava de 41 apoios para passar. Resultado: ficou de recuperação, perdeu a vaga e entrou para a história como o primeiro rejeitado desde 1894. Em bom português de escola pública: se não passou na prova do Senado, é porque o dever de casa não estava tão bonito assim. Repetiu o ano e ainda esqueceu o caderno. 

Na CCJ, a aprovação já tinha vindo apertada, 16 a 11, naquele placar de quem passa raspando e já sai da sala olhando para trás com medo do professor chamar de volta. E aqui entra Sergipe com seu capítulo curioso. Rogério Carvalho esteve no bloco governista e ajudou na travessia pró “Bessias”. Já Alessandro Vieira fez talvez o movimento mais saborosamente político da história recente: criticou duramente o STF, falou sobre distorção da verdade, cortina de fumaça e mascaramento de covardia com valentia de rede social, mas terminou antecipando “de forma clara e aberta” seu voto favorável à indicação pelo preenchimento completo dos requisitos constitucionais. Ou seja, reclamou do restaurante inteiro, criticou o garçom, desconfiou do cardápio, mas no fim pediu o prato principal e ainda elogiou a sobremesa. Falou mal da Corte, votou a favor de “Bessias” e depois viu Messias repetir o ano lá no plenário. Política brasileira às vezes não precisa de análise, precisa apenas de replay.

O que aconteceu ali foi mais que uma derrota de Lula. Foi um recado com firma reconhecida: o Senado quis mostrar ao presidente que indicação para o Supremo não é convite de aniversário, é negociação pesada. Davi Alcolumbre puxou o freio, mostrou força e deixou claro que o Planalto não escolhe sozinho. Em Brasília, o recado foi simples: “quer nome no STF? Primeiro sente aqui e converse direito”. E convenhamos, quando até senador resolve exigir respeito institucional, é porque o clima já saiu da diplomacia e entrou no modo condomínio em assembleia extraordinária.

Para o sergipano, fica a leitura política deliciosa: os nossos senadores voltaram a aparecer no tabuleiro grande, e não apenas para foto de posse e corte de fita. O Senado mostrou que ainda respira e que aprovação automática morreu junto com a ingenuidade republicana. E Messias aprendeu da forma mais dura que currículo bonito não substitui articulação política. No fim, vale a velha máxima: quem não passa na lista do STF, às vezes não passa em canto nenhum. E dessa vez, o boletim veio vermelho, assinado e sem possibilidade de revisão.

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