Ser botafoguense já é um ato de coragem, agora imagine ser botafoguense em Sergipe, longe do Nilton Santos, cercado de rivais e ainda tendo que explicar todo santo dia que isso não é sofrimento, é amor mesmo, é escolha consciente, é quase um sacerdócio futebolístico, e é nesse clima que nomes conhecidos da terra seguem firmes, como Chico Dantas, que comenta todo jogo como se fosse final de Copa, Benedito Figueiredo, que já desistiu de prever resultado e hoje só pede para não passar vergonha, Garibaldi Mendonça, que analisa o clube como se estivesse numa mesa de diretoria, e até o governador Fábio Mitidieri, que mesmo na correria do Estado ainda arruma tempo para sofrer com o Glorioso, além de Luiz Mitidieri, botafoguense daqueles que não largam nem em fase ruim, e, claro, este editorialista que vos fala, que já viu de tudo e continua aqui, firme, desconfiado e apaixonado.
A reportagem que circula sobre o possível futuro do Botafogo que pode ser vendido, que o modelo de gestão é frágil e que o dinheiro pode não existir como se imagina, o botafoguense já entra naquele modo clássico, mistura de desconfiança com trauma histórico, porque o torcedor do Botafogo não entra em crise, ele já mora nela, só troca a decoração de tempos em tempos.
E aí entra o personagem central dessa novela moderna, John Textor, o homem que chegou prometendo revolução, trazendo investimento, discurso moderno e um modelo de clube empresa que fez o torcedor sonhar alto, ganhar título e voltar a falar grosso, mas que agora começa a ser analisado com lupa, com lupa mesmo, daquelas de investigador de série, porque quando surgem dúvidas sobre financiamento, empréstimos e estrutura de grupo, o botafoguense já puxa da memória coletiva aquele velho pensamento, “lá vem história”, e não é uma história qualquer, é sempre uma história com emoção, tensão e plot twist.
Nas redes sociais, o cenário é um espetáculo à parte, Chico Dantas já soltou que “o Botafogo é igual novela das nove, quando você acha que vai ter final feliz, aparece um capítulo novo”, Benedito Figueiredo diz que “aprendeu a comemorar com moderação, porque no Botafogo até vitória vem com suspense”, Garibaldi Mendonça tenta racionalizar, fala de modelo, de fluxo de caixa, de sustentabilidade, mas termina sempre com um “vamos ver no que dá”, enquanto Fábio Mitidieri, nos bastidores, segundo aliados, acompanha com aquele olhar de torcedor que já entendeu que no Botafogo emoção nunca vem em parcela única, é sempre em suaves prestações de sofrimento e esperança assim como a falta d’água no Estado, e Luiz Mitidieri, mais raiz ainda, mantém a fé como quem segura um terço em final de campeonato.
No fim das contas, o Botafogo continua sendo isso, um clube que não se explica, se sente, um time que mistura glória e dúvida na mesma frase, que faz o torcedor rir e se preocupar ao mesmo tempo, e aqui em Sergipe, mesmo sendo poucos, os botafoguenses são intensos, são barulhentos, são apaixonados, e seguem acompanhando cada capítulo dessa história com o coração na mão e o humor afiado, porque se tem uma coisa que o botafoguense aprendeu ao longo do tempo é o seguinte, sofrer faz parte, mas desistir nunca entrou em campo.




