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Cacho deixa a disputa e escolhe Valmir: a três dias da urna, o tabuleiro de Sergipe começa a encolher

Emanuel Cacho fez nesta quinta-feira um movimento de peso simbólico na reta final da eleição: retirou oficialmente sua candidatura ao Governo de Sergipe pelo PSDB e declarou apoio a Valmir de Francisquinho. Disse que a decisão foi tomada em nome de um projeto que considera maior e afirmou enxergar em Valmir uma alternativa para Sergipe. Não é possível transformar a adesão de um candidato em prova de que “todo Sergipe” rejeita Fábio Mitidieri, mas politicamente o gesto tem significado evidente: a três dias da urna, uma candidatura deixa de disputar votos separadamente e passa a concentrá-los no principal adversário do governador.

A cena também alimenta a narrativa da oposição contra aquilo que passou a chamar de projeto de WO. Valmir chegou legalmente à eleição de 2026 depois de ter a candidatura barrada em 2022, e agora recebe o apoio de um adversário que decidiu sair da disputa. Portanto, existe uma reorganização política real na oposição, visto que, o eleitorado inteiro virou as costas para o governador ou antecipar o resultado de domingo. A urna ainda não assinou procuração para ninguém.

O próximo capítulo está no PL, e a sucessão de coincidências já alimenta suspeitas nos bastidores sobre quem se beneficia politicamente da implosão da chapa. Não há prova de participação de Fábio Mitidieri ou de seus aliados na saída de Érico Menezes, mas a cronologia chama atenção: Érico renuncia, a candidatura de Ricardo é atingida e, logo depois, o ex-vice vai à Rádio Metropolitana expor o antigo companheiro, acusando Ricardo de ter entrado no PL “para destruir o partido” e relatando conversas envolvendo Valmir e Emília.

E há outro ingrediente curioso: essas acusações foram apresentadas justamente no programa comandado por comunicador que mantém histórico público de cobertura bastante crítica e de confrontos envolvendo Valmir de Francisquinho. Isso não invalida o relato de Érico nem transforma o confrade colega em parte da crise, mas recomenda cautela antes de aceitar aquela narrativa como verdade fechada. A três dias da eleição, é coincidência demais circulando no mesmo horário do rádio. E, na política sergipana, quando coincidência começa a fazer fila, o jornalista tem obrigação de perguntar quem comprou a senha.

O fato concreto, portanto, já é suficientemente forte sem precisar anunciar o que ainda não aconteceu. Emanuel Cacho saiu e declarou apoio a Valmir. Ricardo permanece no centro de uma crise partidária e promete definir seu futuro. Fábio continua candidato à reeleição e, na pesquisa nacional mais recente localizada, aparecia à frente. Valmir recebe agora um apoio que fortalece politicamente sua narrativa de concentração da oposição. É esse contraste que torna as últimas 72 horas tão imprevisíveis: não há eleição resolvida, mas há um tabuleiro encolhendo rapidamente. E em Sergipe, quando faltam três dias para votar, três dias podem ser tempo suficiente para político trocar de palanque, adversário virar aliado e a fotografia de segunda feira parecer ter sido tirada em outro estado.

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