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Carreata não é licença para fechar Socorro

Um pai relata que, na manhã de domingo, encontrou a entrada do Parque dos Faróis tomada por carros de uma movimentação política ligada ao prefeito Samuel Carvalho. Ele diz que precisava levar o filho autista ao hospital e não conseguia sair. No registro, sua voz sobe, a discussão se acirra e ele pede repetidas vezes que não toquem nele. É um relato grave. A situação exige que a organização da carreata explique onde estavam os acessos para moradores e como atenderia alguém que precisasse sair com urgência.

Carreata é manifestação política legítima. Fechar a passagem de um conjunto, se o bloqueio ocorreu como descrito, é outra história. O morador não pode depender da boa vontade de cabos eleitorais para chegar a uma consulta, ao trabalho ou ao hospital. Quem organiza um ato desse porte tem de prever circulação, orientar motoristas e abrir caminho imediatamente diante de uma necessidade de atendimento. Samuel é prefeito de todos os socorrenses, inclusive daqueles que, às nove da manhã, tinham algo mais urgente a fazer do que assistir à campanha.

A cobrança política é ainda mais direta porque Adriana Carvalho, esposa do prefeito, é a primeira suplente de Alessandro Vieira na disputa pelo Senado. Samuel e seu grupo têm todo o direito de pedir votos. O que não têm é o direito de tratar a entrada de um bairro como estacionamento de campanha. A presença ou ausência de bandeiras de outros candidatos no trecho filmado não prova, por si só, a intenção de excluir aliados; a responsabilidade de garantir passagem aos moradores, porém, independe da cor das bandeiras.

Samuel precisa responder objetivamente: houve bloqueio entre oito e dez horas? Quem coordenava os carros na entrada do Parque dos Faróis? Por onde um morador poderia sair para buscar atendimento médico? E o que foi feito quando o pai pediu passagem? A política gosta de dizer que está nas ruas para ouvir o povo. Naquele momento, segundo o relato, havia um pai na rua tentando levar o filho ao hospital. Ouvi-lo e esclarecer o ocorrido é o mínimo que se espera da prefeitura e da campanha.

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