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Depois dos professores, agora a Polícia Civil: Fábio amplia a fila dos insatisfeitos

Policiais civis de Sergipe decidiram mandar um recado que não precisa de sirene: por R$ 33 a hora, muita gente não quer mais fazer plantão extraordinário. Centenas de oficiais investigadores começaram a retirar voluntariamente seus nomes das escalas. Para quem sai do interior, paga combustível, alimentação, enfrenta estrada, risco e doze horas de serviço, a conta ficou simples demais. Trabalhar extra começou a parecer aquele negócio em que o servidor entra com o trabalho, entra com o carro, entra com a gasolina e ainda precisa agradecer no final.

O movimento tem também um peso político. Depois de meses de tensão entre o governo de Fábio Mitidieri e categorias do funcionalismo, inclusive o magistério, que voltou à greve em setembro cobrando cumprimento de decisão do STF sobre a carreira, agora são policiais civis que demonstram insatisfação. O SINTESE acusa o governo de descumprir compromissos assumidos com os professores, enquanto o Executivo sustenta dificuldades financeiras e busca prazo para cumprir a decisão.

Na leitura dos policiais insatisfeitos, é mais uma categoria que começa a se sentir colocada para fora da fotografia do governo. Não porque esteja deixando o serviço público, evidentemente, mas porque a sensação é de que o discurso de valorização não chega inteiro ao contracheque nem à escala. E policial não vive de aplauso institucional. Gasolina não aceita discurso, supermercado não parcela promessa e risco de vida não vem com desconto de servidor.

Se a retirada dos plantões continuar, novembro pode apresentar a conta. Delegacias poderão enfrentar dificuldade para completar escalas e a população poderá sentir o efeito de uma discussão que começou em R$ 33 por hora. No fim, a ironia é cruel: o governo pode economizar no plantão, mas corre o risco de gastar muito mais tentando explicar por que faltou policial. E, quando uma categoria armada não cruza os braços, mas simplesmente guarda a caneta e diz “nesse extra eu não vou”, talvez seja hora de o Palácio perceber que o problema já deixou de ser salarial e virou político.

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