A derrota de André Moura para o Senado ficou perto demais para ser tratada como simples revés. Ele recebeu 377.669 votos e terminou 22.106 atrás de Alessandro Vieira, eleito com 399.775, além de ficar apenas 1.041 votos atrás de André David, que teve 378.710. Quando uma cadeira escapa por margem tão estreita, a eleição passa a ser refeita apoio por apoio, cidade por cidade, promessa por promessa. Cada liderança que jurava força e cada base que parecia garantida ganham outro peso depois da apuração.
É justamente aí que entram os 19 vereadores de Aracaju. Eles foram apresentados como parte importante da musculatura política de André, uma tropa capaz de representar bairros, lideranças e milhares de votos potenciais. No domingo, porém, André recebeu 51.706 votos na capital e terminou apenas em quinto lugar. A fotografia da força continuou bonita, mas a conversão em voto ficou muito abaixo do impacto anunciado. Não se pode afirmar que cada vereador deixou de trabalhar, mas também seria confortável demais fingir que quem foi exibido como símbolo de força antes da eleição não tem responsabilidade política quando essa força não aparece na urna.
Talvez André também tenha sido vencido pelo excesso de confiança nessa estrutura. Cercado por prefeitos, vereadores, lideranças e palanques cheios, era fácil imaginar que parte do caminho já estivesse percorrida. Só que eleitor não vem anexado ao vereador, prefeito não transfere voto por procuração e fotografia de palanque não entra na urna. André parece ter confiado demais numa engrenagem que, justamente onde precisava funcionar melhor, entregou menos do que o esperado.
Aracaju tornou isso ainda mais incômodo. André David recebeu 117.276 votos na capital, Rogério Carvalho 106.909, Alessandro Vieira 87.727, Edvaldo 86.112 e André Moura 51.706. Os números não provam traição, mas autorizam uma pergunta dura: qual foi, afinal, a capacidade real daqueles 19 vereadores de transformar apoio anunciado em voto efetivo? Quem aparece no palanque e empresta sua imagem a uma candidatura também precisa aceitar que, depois da derrota, alguém cobrará o resultado dessa aliança.
O mais doloroso é que André não fez campanha pequena. Percorreu Sergipe, montou estrutura poderosa e chegou a 377.669 votos. Ficou perto. Perto demais. Foram apenas 22.106 votos entre ele e o Senado, diferença suficientemente pequena para transformar expectativa exagerada, confiança excessiva e apoio pouco convertido em voto em peças decisivas da derrota.
E talvez essa seja a fotografia que mais doa: aquela cheia de aliados, abraços, vereadores e demonstrações de força. Porque, quando a urna fecha, toda fotografia política passa por um teste cruel: precisa virar voto. A de André Moura não virou na quantidade necessária. E os 19 vereadores podem não explicar sozinhos a derrota, mas certamente fazem parte da pergunta que continuará rondando essa campanha: com tanta gente dizendo que estava com André, como faltaram justamente aqueles 22.106 votos?




