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Editorial: A vitória aumenta o tamanho da responsabilidade

As urnas falaram, e falaram com clareza. Fábio Mitidieri foi reeleito governador de Sergipe no primeiro turno com 727.291 votos, 59,27% dos votos válidos, resultado que merece ser reconhecido e respeitado por todos, independentemente do lado ocupado durante a campanha. Em 2022, quando chegou ao governo, Fábio precisou disputar o segundo turno e terminou aquela eleição com 623.851 votos. Agora retorna ao Palácio dos Despachos com uma votação numericamente maior e uma vitória definida já no primeiro turno. A consequência política disso é simples: aumenta a vitória e aumenta também a responsabilidade. Quem recebe uma confiança maior das urnas recebe igualmente uma cobrança maior da sociedade. Ao governador, portanto, cabem os parabéns pela vitória e os votos sinceros de sucesso, porque quando um governador acerta, não é um partido que ganha. É Sergipe.

Foi uma campanha dura, intensa, barulhenta e muitas vezes emocional. Fábio Mitidieri e Valmir de Francisquinho defenderam projetos distintos, reuniram seus grupos, percorreram cidades, enfrentaram críticas e colocaram seus nomes diante do julgamento popular. Cada um, à sua maneira, travou a batalha que entendia necessária. Cabe aqui a conhecida passagem de Paulo na Segunda Carta a Timóteo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” Guardadas as devidas proporções entre a Escritura e a política, a imagem serve bem ao momento. O bom combate democrático termina quando a urna encerra a discussão. Um venceu, outro perdeu. É assim desde que democracia passou a significar que o poder não pertence permanentemente a ninguém. Ontem era campanha. Hoje é governo.

Agora os palanques precisam ser desmontados, literalmente e politicamente. A eleição acabou. As bandeiras podem ser guardadas, os carros de som podem descansar e as redes sociais podem diminuir alguns decibéis. Sergipe não pode permanecer dividido entre os que votaram em Fábio e os que votaram em Valmir. Depois da apuração, não existem 727 mil sergipanos de um governador e outros milhares pertencentes à oposição. Existem cidadãos do mesmo Estado. Ao vencedor cabe governar também para quem apertou outro número na urna. Aos derrotados cabe fiscalizar, cobrar e exercer oposição dentro das regras democráticas. E a todos cabe compreender aquela regra antiga que a política às vezes insiste em esquecer: eleição tem vencedor e derrotado, mas o Estado continua sendo de todos.

É justamente por isso que a vitória expressiva de Fábio Mitidieri não deve funcionar como ponto de chegada, mas como ponto de partida para uma cobrança ainda mais rigorosa. Sergipe tem problemas concretos que não desapareceram porque terminou a campanha. A situação do abastecimento de água precisa continuar no centro das atenções. As estradas estaduais exigem cuidado permanente. A saúde pública precisa oferecer respostas cada vez mais rápidas. A educação precisa encontrar ambiente de diálogo e valorização. Segurança, emprego, desenvolvimento econômico e infraestrutura continuarão batendo diariamente à porta do governo. Urna nenhuma conserta uma estrada, coloca água na torneira ou reduz uma fila hospitalar. O que a urna faz é entregar ao vencedor autoridade política para enfrentar esses problemas. E foi exatamente essa autoridade que o eleitor sergipano renovou no domingo.

Fábio tem agora a oportunidade de usar o segundo mandato para aperfeiçoar aquilo que considera acertado e corrigir aquilo que a própria realidade mostrou que precisa melhorar. Em suas primeiras manifestações depois da vitória, afirmou que pretende agradecer à população trabalhando e fazer um segundo mandato melhor que o primeiro. É uma boa régua, inclusive para quem acompanhará o governo jornalisticamente. Segundo mandato não pode ser apenas continuação administrativa. Precisa carregar aprendizado. Quem já conhece a máquina pública não pode alegar surpresa com seus defeitos. Quem recebeu novamente a chave do governo recebeu também a oportunidade de atacar problemas que sobreviveram aos quatro primeiros anos. O governador não começa do zero. E exatamente por não começar do zero pode e deve avançar mais rapidamente.

Que Fábio Mitidieri tenha sabedoria, serenidade e sucesso na condução de Sergipe. Que saiba ouvir os aliados sem se tornar prisioneiro deles, respeitar os adversários sem abandonar suas convicções e compreender que a maior homenagem que pode prestar aos 727.291 sergipanos que lhe confiaram o voto é governar igualmente bem para os que escolheram outro candidato. Valmir de Francisquinho cumpriu seu papel numa disputa competitiva e seus eleitores continuarão tendo direito à representação, à fiscalização e à cobrança. A democracia é exatamente isso. Uns vencem, outros perdem, apertam-se as mãos e a vida continua. O palanque passou. Agora voltam a falar a torneira, a estrada, a escola, o hospital, o emprego e a segurança. Ao governador reeleito, parabéns pela vitória. A partir de agora, que a maior comemoração seja transformar a confiança recebida nas urnas em resultados para o povo de Sergipe.

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