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Editorial: Fábio mal comemorou a vitória e já abriu a campanha de 2028 em Aracaju!

Katarina é um nome respeitável, experiente e politicamente preparado para participar dessa discussão. Delegada, ex-vice prefeita de Aracaju e deputada federal reeleita com 71.592 votos, quase o dobro dos 38.135 conquistados em 2022, reúne credenciais que não podem ser ignoradas. Mas existe uma diferença enorme entre crescer eleitoralmente em Sergipe e conquistar a Prefeitura da capital. Em Aracaju, Katarina recebeu 20.827 votos na eleição de 2026. É uma base importante, mas não representa automaticamente apoio para uma disputa municipal. Além disso, o governador também mencionou Ricardo Vasconcelos e Nitinho Vitale. Portanto, lançou a intenção do PSD de disputar a Prefeitura, mas ainda não escolheu oficialmente seu candidato.

Do outro lado dessa movimentação está Emília Corrêa, a primeira mulher eleita prefeita de Aracaju, que construiu sua trajetória enfrentando estruturas políticas tradicionais. Emília tem a oportunidade de transformar sua administração em seu principal argumento político, com entregas concretas, presença nos bairros e atenção aos problemas cotidianos da população. É justamente esse o desafio de Katarina: enfrentar uma prefeita que já exerce o cargo e poderá apresentar resultados administrativos ao eleitor. Para superá-la, não bastarão o apoio do governador, uma fotografia com aliados ou a força de uma estrutura partidária como aconteceu nas eleições passadas que Emília ganhou para todo o grupo governista. Será necessário reunir lideranças, construir um projeto consistente e convencer os aracajuanos de que existe uma alternativa melhor. Isso exige muito mais que uma declaração antecipada.

Existe ainda o fator Ricardo Marques, atual vice-prefeito de Aracaju, cuja participação nas articulações de 2028 também merece atenção. A composição política em torno de Emília dependerá da relação entre os dois, dos compromissos partidários e das decisões que serão tomadas até a próxima eleição. Nenhuma definição antecipada pode ser tratada como fato consumado. O mesmo vale para o agrupamento do governador, que precisará administrar os interesses de Katarina, Ricardo Vasconcelos, Nitinho e outras lideranças. A sucessão municipal não será decidida apenas pelo desejo de Fábio. Aracaju tem suas próprias forças, seus conflitos e um eleitorado que não pode ser tratado como extensão automática da eleição estadual.

A antecipação da sucessão também apresenta riscos para Katarina. Na política, quem entra cedo demais na vitrine passa mais tempo exposto às cobranças, às articulações adversárias e ao desgaste natural de uma candidatura ainda indefinida. O nome anunciado hoje pode chegar a 2028 fortalecido, mas também pode carregar dois anos de disputas internas e expectativas frustradas. Fábio, como governador e dirigente partidário, tem legitimidade para organizar o futuro do PSD. A questão é a oportunidade da declaração. Sergipe acaba de encerrar uma eleição e continua enfrentando demandas na saúde, na educação, no abastecimento de água e na infraestrutura. São problemas que não obedecem ao calendário eleitoral e exigem respostas muito antes de 2028.

O grande desafio de Fábio Mitidieri, portanto, não é encontrar agora quem enfrentará Emília Corrêa. É demonstrar que a vitória de outubro será acompanhada de resultados para os sergipanos. A população precisa saber como o governo pretende reduzir filas, melhorar escolas, enfrentar a insegurança hídrica e executar suas promessas. A discussão sobre 2028 é legítima, mas não pode ocupar o espaço das prioridades administrativas. E, se a conversa já ultrapassar 2028 para alcançar as articulações de 2030, a cobrança será ainda maior. Sergipe não pode viver permanentemente em campanha. Afinal, uma eleição termina para que um governo trabalhe. Quando a próxima disputa começa antes mesmo do novo mandato, a pergunta que fica é simples: quando haverá tempo para governar?

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