PUBLICIDADE

EMDAGRO: R$ 82 MILHÕES EM SILAGEM. QUEM VAI ENGOLIR ESSA CONTA?

Imagine R$ 82,49 milhões destinados à possível compra de silagem de milho e sorgo. É dinheiro suficiente para provocar indigestão até em quem nunca pisou num curral! Para dimensionar a fortuna, se apenas R$ 2 milhões fossem destinados à alimentação escolar, ao custo hipotético de R$ 5 por refeição, seriam 400 mil refeições. Evidentemente, são despesas com finalidades diferentes, mas a comparação mostra o tamanho dos números. O Pregão Eletrônico nº 12/2026 da Emdagro prevê milhões de sacos de alimento animal. A pergunta é simples: quem conferiu a quantidade, os preços e a necessidade real? Afinal, o rebanho precisa comer, mas o contribuinte não pode engolir qualquer explicação.

A empresa Farelo JP questionou no Tribunal de Contas a habilitação da Flora Agropecuária, alegando que não teria sido comprovada a capacidade técnica mínima de 30% exigida no edital. Na sessão de 29 de outubro, o conselheiro José Carlos Felizola indeferiu a cautelar, sem suspender a licitação, mas encaminhou a denúncia para apuração e determinou esclarecimentos da Emdagro. Ainda bem que existem mecanismos de controle capazes de examinar essas controvérsias! Afinal, estamos falando de uma licitação de milhões, não de uma vaquinha para comprar capim no fim da feira.

A Emdagro precisa apresentar os atestados técnicos, justificar a habilitação e explicar como calculou mais de 3,5 milhões de sacos de silagem. Quem receberá tudo isso? Quais municípios serão atendidos? Quem vai pesar, fiscalizar e conferir as entregas? O valor anunciado é uma estimativa para registro de preços, não dinheiro já desembolsado. Mas transparência não pode ficar para depois da última entrega. Quando o assunto envolve R$ 82 milhões, até o último saco merece identificação, fiscalização e prestação de contas.

O Tribunal de Contas deve examinar a denúncia com rigor, garantindo defesa às empresas e aos gestores. Até agora, não há comprovação de fraude ou favorecimento. Mas isso não dispensa o governo do Estado de explicar os critérios da contratação. O conselheiro José Carlos Felizola abriu caminho para que a discussão seja esclarecida documentalmente. O produtor rural precisa de alimento para seus animais, e o cidadão precisa de respeito ao dinheiro público. Porque, nessa história, a silagem é destinada ao gado. A conta, se houver compra, será paga com recursos públicos. E ninguém merece descobrir que virou o último da fila do cocho!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *