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Entre o café e a urna, João Fontes faz seu diagnóstico da República

Logo pela manhã, enquanto muita gente ainda procurava o café e o título de eleitor, João Fontes já colocava sobre a mesa um diagnóstico pesado: “As nossas instituições estão doentes”. Para o ex-deputado federal, esta eleição ganhou caráter quase plebiscitário e passou a representar mais do que uma disputa entre nomes. É, na visão dele, uma oportunidade de avaliar os rumos da República. E quando alguém que conhece os bastidores da política diz que a máquina está tossindo, pelo menos vale ouvir o estetoscópio.

O trecho mais interessante vem quando ele afasta o ódio da discussão: “Nós temos essa oportunidade de corrigir, sem ódio, sem ranço, tudo aquilo que foi desviado em nosso país”. João Fontes compara o eleitor a um médico e o voto a um remédio. A metáfora é simples e funciona: numa democracia, mudanças legítimas são feitas pela urna. Pode-se discordar do diagnóstico ou da receita, mas a Constituição é clara ao afirmar que todo poder emana do povo.

João também mira o equilíbrio entre os Poderes, especialmente o STF e o Senado. Ao criticar futuras indicações para o Supremo e dizer que não deseja ver “um outro Alcolumbre” no comando do Senado, ele coloca no centro uma discussão institucional importante. Presidente indica ministros, Senado aprova, Congresso legisla e Judiciário controla constitucionalidade. Quando esse equilíbrio parece ameaçado, cresce a cobrança por contrapesos. Na República, equilíbrio não deveria ser artigo de decoração em Brasília.

No fim, João Fontes deixa claro que sua escolha é pessoal e admite que seu candidato preferido seria outro. “Meu candidato seria Tarcísio”, disse, antes de explicar por que hoje escolhe Flávio Bolsonaro. Esse detalhe dá mais autenticidade à fala, porque apresenta uma decisão política, e não uma paixão cega. Pode-se concordar ou discordar, mas João Fontes fez algo cada vez mais raro: apresentou seu diagnóstico, sua preocupação e sua escolha, assumindo publicamente cada palavra.

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