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Fábio foge do debate e deixa as perguntas esperando

Fábio Mitidieri conseguiu inovar na ciência política sergipana. Até ontem, imaginava-se que debate exigisse adversário. Hoje descobrimos uma possibilidade mais moderna: o candidato pode examinar os concorrentes e concluir que nenhum deles merece seu tempo. Ricardo? Problema na chapa. Helton? Problema judicial. Emanuel? Pequeno. Valmir? Desagradável. Fábio? Aprovado por unanimidade pela comissão formada por Fábio.

É uma eficiência admirável. Se esse método fosse aplicado ao futebol, o Botafogo escolheria enfrentar somente quem considerasse conveniente e já entraria em campo com três pontos. Se fosse concurso público, o candidato eliminaria a banca. Se fosse tribunal, o réu escolheria o juiz. Mas política eleitoral tem uma dificuldade irritante chamada contraditório. O sujeito que governa quatro anos precisa aceitar que alguém faça perguntas sem pedir previamente autorização para incomodar.

E existe algo especialmente curioso quando o argumento passa a ser o tamanho político do outro. Emanuel pode ter pouca expressão eleitoral; isso não transforma sua candidatura em silêncio obrigatório. Helton enfrenta situação judicial, mas candidatura sub judice não equivale automaticamente a inexistência política. Ricardo atravessa uma crise de chapa, mas a situação jurídica não é resolvida por sarcasmo de adversário. E Valmir, sendo adversário direto, é justamente aquele com quem o confronto interessa politicamente ao eleitor. A programação prevista para a noite incluía todos eles.

No fundo, o risco para Fábio não está nem em faltar. Está no significado que a ausência pode adquirir. Porque o sergipano conhece governador com agenda cheia, conhece candidato cansado e entende estratégia eleitoral. O que ele pode estranhar é a ideia de que alguém chegou a um ponto de poder em que passou a escolher até quem merece fazer pergunta. Aí o humor fica pronto sozinho: depois de selecionar adversários, só falta o governador selecionar eleitores. E esse departamento, felizmente, ainda funciona ao contrário.

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