PUBLICIDADE

Faltou voto onde sobrava currículo: Heleno encolheu e Thiago de Joaldo pagou a conta em Brasília

Os números colocam Pastor Heleno numa posição difícil de maquiar. Clécia chegou à casa dos 10 mil votos, Susane Vidal ultrapassou os 20 mil e Thiago de Joaldo cresceu eleitoralmente. Heleno, com passagem pela Assembleia, dois mandatos de deputado federal e uma prefeitura no currículo, terminou com pouco mais de 15 mil. Para quem carrega décadas de palanque, interior, igreja e articulação política, é pouco. Muito pouco. Experiência deveria virar voto. Desta vez, virou sobretudo currículo.

A comparação com ele mesmo é ainda mais dura. Em 2022, Heleno tinha passado dos 28 mil votos. Agora caiu para pouco mais de 15 mil, perdendo quase metade da própria força eleitoral. Enquanto outros nomes ajudaram a sustentar a chapa, justamente aquele que deveria funcionar como uma das locomotivas virou um dos seus maiores pontos de interrogação. A urna arrancou o verniz da biografia e fez uma pergunta simples: quantos votos você ainda consegue entregar?

É por isso que colocar toda a culpa em Emília Corrêa seria confortável demais. Thiago cresceu, Susane entregou sua parcela e candidatos menores também ajudaram na conta. O buraco mais incômodo apareceu justamente onde se esperavam experiência, capilaridade e voto: em Pastor Heleno. O veterano entrou com pose de puxador e saiu com desempenho de coadjuvante.

O contraste com Pastor Diego reforça o constrangimento. Mesmo disputando outro cargo, Diego terminou numericamente acima de Heleno. Não é uma comparação matemática perfeita, mas politicamente é reveladora: uma liderança mais nova produziu mais votos do que alguém que já atravessou décadas de eleições. Em política, parecer grande e continuar sendo grande eleitoralmente são coisas diferentes.

E agora vem a ironia do pós-eleição. Não há fato que permita afirmar que Heleno tenha acertado espaço com o governo Fábio Mitidieri. Mas, se daqui a pouco aparecer na cozinha do governo, de avental novo e explicando que tudo não passa de “diálogo institucional”, ninguém poderá alegar surpresa. Seus aliados chamarão de pragmatismo. Seus críticos escolherão palavras menos elegantes. Depois de perder votos, talvez reste a velha habilidade de encontrar uma mesa onde ainda haja cadeira.

Heleno não pode ser responsabilizado sozinho pelo resultado do Republicanos. Mas também não pode ser retirado da conta. A chapa precisava de votos, e um de seus nomes mais experientes encolheu justamente quando deveria puxar. A urna, afinal, tem uma crueldade simples. Ela não lê currículo. Ela conta voto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *