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Fé, família e urna: os dois retratos da manhã eleitoral em Sergipe

O domingo mais esperado da política sergipana começou antes mesmo de muita gente terminar o primeiro café. Em Itabaiana, Valmir de Francisquinho colocou a religião no primeiro quadro de sua manhã eleitoral, com participação anunciada em missa antes de seguir para votar. Não começou diante de microfone, palanque ou carro de som. Começou diante do altar. Num dia em que mais de 1,74 milhão de sergipanos estão aptos a votar, a imagem tem uma força própria: antes da urna eletrônica, silêncio, oração e um pedido que pertence somente a quem o fez.

Do outro lado da disputa, Fábio Mitidieri iniciou a programação divulgada em ambiente familiar, cercado de parentes e aliados antes de seguir para a votação. São dois retratos distintos de uma mesma manhã. De um lado, a igreja e sua liturgia. Do outro, a casa, o café e a família. A política, que passou meses fazendo barulho, acordou neste domingo quase doméstica. Parece até que os carros de som descobriram, finalmente, que existe botão de desligar.

Para o eleitor, porém, acabou a temporada das promessas e começou a hora da escolha. Sergipe decide neste domingo seu governador, além dos demais cargos em disputa, com votação até as 17 horas. É o momento em que santinho deixa de ser argumento, carreata vira lembrança e pesquisa já não entra na cabine. Ali, não existe governador, candidato, cabo eleitoral nem influenciador. Existe apenas o eleitor diante da máquina, sozinho com a própria consciência.

A manhã religiosa de Valmir, portanto, produz uma cena politicamente simbólica sem precisar de discurso: um candidato que, antes de enfrentar a urna, passou pela igreja. Fábio escolheu a intimidade familiar para começar seu domingo. Cada qual apresentou sua fotografia das primeiras horas da eleição. Daqui para frente, entretanto, a fotografia que interessa será outra. A partir das 17 horas começa a apuração, e será o voto silencioso dos sergipanos, não a encenação de campanha, que contará a história deste 4 de outubro.

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