O fim de semana confirmou que os últimos 15 dias da campanha pelo Governo de Sergipe serão dominados por uma disputa que ultrapassa os palanques e chega à interpretação dos números. De um lado, Fábio Mitidieri comemorou a pesquisa do Instituto França, registrada na Justiça Eleitoral sob o número SE-03512/2026, que lhe atribuiu 46% das intenções de voto, contra 28,33% de Valmir de Francisquinho. O levantamento ouviu 1.300 eleitores entre os dias 17 e 19 de setembro e colocou o governador com uma vantagem de 17,67 pontos percentuais. Do outro lado, a campanha de Valmir voltou a divulgar o levantamento do INOR, registrado sob o número SE-07359/2026, no qual o candidato do Republicanos aparece com 44,67%, contra 37,29% de Fábio.
Valmir procurou responder à pesquisa favorável ao governador com a linguagem que considera mais eficiente: a ocupação das ruas. O candidato percorreu Carira, Pinhão e Frei Paulo em uma grande carreata, acompanhado por Ícaro de Valmir, candidatos proporcionais, lideranças municipais e centenas de apoiadores. As imagens do Agreste foram utilizadas para sustentar a tese de que existe uma eleição registrada pelos institutos e outra percebida nas ruas. A campanha tenta transformar a presença popular em argumento político, apresentando Valmir como o candidato que enfrenta uma estrutura governista poderosa, mas continua reunindo multidões. O objetivo é impedir que a vantagem apontada pelo Instituto França produza desânimo entre apoiadores ou gere a percepção de que a eleição já estaria definida.
Fábio também intensificou a movimentação territorial e percorreu municípios do Baixo São Francisco, exibindo apoios políticos e investimentos realizados pelo governo. Sua campanha procura combinar três elementos: vantagem nas pesquisas, estrutura municipal e prestação de contas da administração. A primeira-dama Érica Mitidieri participou de caminhada em Laranjeiras, enquanto prefeitos, candidatos proporcionais e aliados reforçaram os atos governistas pelo interior. O governador chega à reta final com uma grande rede política, mas ainda precisa responder aos desgastes provocados pela greve dos professores, pelas reclamações dos servidores e pela crise do abastecimento de água. É justamente nesse espaço que Ricardo Marques tenta crescer, utilizando a falta de água como símbolo da ineficiência administrativa e afirmando que Sergipe precisa de uma rede de abastecimento que funcione de verdade.
Os demais candidatos tiveram menor exposição durante o fim de semana. Ricardo concentrou sua atuação nas redes sociais e nas críticas ao governo; Dr. Helton manteve a defesa dos servidores públicos, mas continua limitado pela disputa judicial envolvendo a Federação PSOL/Rede; Emanuel Cacho seguiu repercutindo sua participação em sabatinas, enquanto administra os efeitos da renúncia de sua antiga candidata a vice; e Taty Cristina permaneceu com baixa visibilidade. A fotografia da campanha, portanto, mostra uma polarização cada vez mais forte entre Fábio e Valmir. Nos últimos 15 dias, a briga será travada em três frentes: nas ruas, onde Valmir tenta demonstrar força popular; nas pesquisas, onde os institutos apresentam retratos profundamente diferentes; e na estrutura política, onde Fábio dispõe de uma extensa rede de aliados. A eleição ainda não terminou, mas o fim de semana deixou claro quem está disputando o centro do ringue e quem ainda luta para aparecer na fotografia.




