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Gestão sem rumo, UFS sem recursos

A UFS encerra o ano como um avião que perdeu a rota e desligou a torre de controle. Enquanto universidades disputam recursos e relevância, a Federal de Sergipe optou pelo silêncio político e pela ausência administrativa. Não houve surpresa, apenas diagnóstico: apagão institucional. Pela primeira vez em mais de uma década, ficou fora das emendas de bancada e dos principais editais. Faltou direção e universidade sem rumo perde voz e futuro.

Mesmo com bilhões circulando pelo país e investimentos chegando a Sergipe, a UFS sequer apareceu na disputa. Nenhuma emenda para 2026. Obras como o Campus do Sertão foram tratadas como “concluídas”, e a universidade não voltou ao debate. Em bom português: não entrou no jogo. Faltou articulação, estratégia e comando.

Nos editais de ciência, o cenário piora. No FAPITEC/FUNTEC nº 15/2025, inúmeras instituições apresentaram projetos; a UFS, tradicional protagonista, não apareceu. Na chamada nacional do CNPq nº 12/2025, todas as grandes federais figuram com destaque, assim como praticamente todo o Nordeste. Em Sergipe, quem surge é a UNIT. A UFS simplesmente desapareceu, como se tivesse decidido fazer jejum acadêmico.

Isso não é acaso, mas consequência de escolhas equivocadas. Em vez de proteger orçamento e articular politicamente, a Reitoria investiu em estruturas improvisadas, decisões açodadas e uma gestão que produz mais ruído do que resultado.

Enquanto isso, a universidade real sofre: processos seletivos atrasam, bolsas não saem, terceirizados acumulam salários atrasados, salas alagam, a internet não funciona, viagens de campo são canceladas e Estância segue entre promessa e abandono. A desorganização é tamanha que diretores desistem antes de assumir, o chefe da CCV caiu sem aviso, o SISU atrasou, e até um exame de redação precisou ser cancelado.

A política real, a que decide verba e futuro, passa longe. Sem articulação em Brasília, sem defesa pública e sem presença mínima, a UFS virou figurante em seu próprio Estado. Sem presença, perde espaço. Sem técnica, perde editais. Sem liderança, perde credibilidade.

No centro está o reitor, mas não sozinho. A vice-reitora, ligada ao Sintese e alçada ao cargo com seu apoio, mantém sintonia que compromete a autonomia universitária. Nesse arranjo, boa intenção vira enfeite: simpático, mas incapaz de liderar. E a dúvida permanece: afinal, quem está no comando? O reitor, a vice, grupos internos, ou apenas a vaidade? No fim, quem não dirige, é dirigido.

A UFS precisava de liderança e ganhou exibicionismo. Precisava de articulação e recebeu isolamento. Precisava de planejamento e encontrou improviso. Uma instituição que sempre foi protagonista virou figurante e Sergipe não pode pagar esse preço.

Se a Reitoria não consegue defender a UFS, proteger recursos e garantir estabilidade, a comunidade acadêmica tem não só o direito, mas talvez o dever de exigir mudança. Porque ciência não vive de curtidas, educação não se sustenta em vídeo, e o futuro de um instituição de ensino público não pode ser guiado por quem desaparece justamente na hora de disputar recursos.

Respostas de 2

  1. Parabéns, vc é um bom jornalista, e não deixa de contar a verdade, é isso mesmo, preocupação zero com eficiência gerencial, característica da esquerda falida.

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