A Federação PSOL–Rede realizou, na noite de ontem uma convenção simples, sem grandes estruturas ou demonstrações de força, mas politicamente objetiva. O encontro, realizado no bairro Grageru, em Aracaju, oficializou a candidatura do médico e servidor público Dr. Helton Monteiro ao Governo de Sergipe, tendo como vice Maria Izaltina, liderança quilombola, pescadora, agricultora e militante antirracista. Para o Senado, a Federação confirmou Iran Barbosa, conhecido pela atuação em defesa da educação pública, dos trabalhadores e dos servidores. A chapa majoritária foi apresentada como uma alternativa independente tanto ao governo estadual quanto às demais forças de oposição.
Em seu discurso, Helton Monteiro defendeu maior participação do Estado na administração da água, da saúde e da educação, além da retomada do diálogo com servidores públicos, agricultores e comunidades tradicionais. Maria Izaltina acrescenta à chapa uma representação diretamente ligada às comunidades quilombolas, aos povos tradicionais e às populações que normalmente aparecem muito nos discursos eleitorais, mas pouco nas composições majoritárias. Iran Barbosa, por sua vez, surge como o único candidato ao Senado lançado pela Federação, embora os nomes de seus dois suplentes ainda não tenham sido divulgados publicamente. A convenção mostrou, portanto, uma chapa com forte identidade ideológica e social, mas ainda com algumas peças esperando para aparecer na fotografia oficial.
Na disputa proporcional, a Federação anunciou cinco candidaturas para deputado federal e 21 para deputado estadual. Entre os nomes confirmados para a Câmara estão o delegado Mário Leony, Daía do Cardoso e Igor Baima, todos ligados a pautas sociais, sindicais, comunitárias e de direitos humanos. Para a Assembleia Legislativa, os nomes de maior projeção são os de Linda Brasil, que disputará a reeleição, e da vereadora Professora Sonia Meire. A prioridade eleitoral parece estar justamente na chapa estadual: Linda funcionará como principal referência de votos, enquanto a Federação tentará reunir força suficiente para manter sua cadeira e, num cenário mais favorável, disputar uma segunda vaga na Alese.
Politicamente, a convenção marcou a decisão do PSOL e da Rede de seguirem um caminho próprio após o fracasso das negociações com PT, PCdoB e PV. A Federação procurou se diferenciar do governo estadual e das oposições tradicionais, colocando no centro do discurso a defesa dos serviços públicos, da democracia, da justiça social, do desenvolvimento sustentável e a crítica à concessão da Deso. A chapa está montada, o discurso está definido e as bandeiras são conhecidas; o desafio será transformar identidade programática em capilaridade eleitoral. Até o momento, porém, a relação completa dos 26 candidatos proporcionais ainda não foi divulgada, deixando a convenção com uma curiosidade inevitável: os candidatos foram anunciados em números, mas parte deles ainda permanece escondida atrás da cortina partidária.




