Minha querida, vamos combinar uma coisa com honestidade e um pouco de rímel bem passado: eu tenho muitos amigos gays, muitos amigos baixinhos que compensam na autoestima aquilo que o céu economizou na altura, muitos amigos tão estilosos que parecem ter saído direto de um editorial da Vogue com crise existencial inclusa, e também aqueles amigos que você olha e pensa “isso aqui não é uma pessoa, é uma experiência estética”. E tudo isso é maravilhoso. O problema nunca foi a diversidade masculina. O problema sempre foi o cidadão que acha que ser homem é falar grosso, abrir as pernas na cadeira e tratar gentileza como se fosse uma ameaça à masculinidade.
Aí surge Juliano Cazarré com seu encontro de homens do Brasil, quase um retiro espiritual da testosterona sensível, dizendo que o homem moderno vive em desamparo. Desamparo, minha filha. O homem, coitado, estaria sem direção porque agora a mulher trabalha, escolhe, decide, paga a conta e ainda diz que não quer ouvir podcast sobre “energia masculina”. A imprensa caiu em cima. A turma mais crítica chamou de red pill de missa das sete. Atrizes como Marjorie Estiano e Cláudia Abreu lembraram o óbvio: o Brasil bate recorde de feminicídio e a última urgência nacional não parece ser proteger o ego ferido de macho de condomínio. Já a ala conservadora tratou Cazarré como um mártir da família tradicional brasileira, quase um São Jorge de sapatênis combatendo o dragão do boleto dividido.
Em Sergipe, esse debate fica ainda mais engraçado porque o sergipano mudou muito e graças a Deus. Aquele macho raiz que resolvia tudo no grito hoje divide espaço com o rapaz que usa perfume importado, sabe fazer skincare e responde “vamos conversar sobre isso” sem entrar em combustão espontânea. Tem homem que parece cantor de MPB triste, tem homem que parece influencer de café artesanal e tem aquele clássico que você ainda não sabe se saiu da academia, do salão ou de uma sessão de terapia. E sinceramente? Melhor assim. O mundo ficou mais bonito quando o homem percebeu que desodorante emocional também existe.
Agora, atenção: feminismo não é guerra contra homem, é guerra contra homem ruim. Existe uma diferença enorme entre macho e machismo. Machismo é opressão, controle e aquele sujeito que acha que lavar um prato já o torna indicado ao Nobel da Paz. Macho, não. Macho de verdade é segurança, presença, responsabilidade e caráter. É o homem que não precisa humilhar ninguém para parecer forte. É aquele que olha para uma mulher decidida e não se assusta, porque entende que parceria não é submissão, é jogo bonito.
E eu, aos meus 50+ muito bem vividos, com diploma, boletos pagos e paciência seletiva, digo sem nenhuma culpa: eu gosto de homem firme. Gosto de homem com presença, com atitude, com coragem no gesto e verdade no olhar. Não o bruto sem cérebro que acha que romantismo é pagar um combo no bar, mas o homem que sabe conduzir sem sufocar, proteger sem diminuir e admirar sem competir. Mulher não quer gerente emocional nem coach de virilidade. Mulher quer intensidade, quer parceria, quer alguém que saiba chegar e não apenas anunciar que chegou.
Então, minha amiga, pare de se curvar para homem fraco com discurso forte. Chega de aplaudir mediocridade masculina com embalagem de autoridade. Mulher nasceu para viver, decidir, gozar da própria liberdade e escolher quem merece entrar na própria história. Quem ainda confunde obediência com amor está namorando 1957 e nem percebeu. O futuro não aceita mais boleto emocional atrasado. No fim, o verdadeiro homem macho não está na palestra, está na prática. O resto é barba bem desenhada, voz de podcast e ingresso parcelado em doze vezes para ensinar aquilo que caráter já deveria ter resolvido sozinho.




