Indiaroba recebeu duas promessas milionárias da Sedurbi: R$ 19.518.966,91 para a Orla do Pontal e R$ 8.333.836,18 para o Ginásio Wagner Amarinho. São R$ 27.852.803,09 estimados, não gastos comprovados. As sessões estão previstas para 16 e 18 de novembro; a orla tem prazo de execução de 360 dias. Mas quantos metros serão requalificados? Haverá drenagem, saneamento, iluminação e acessibilidade? Na empreitada por preços unitários, cada medição vira dinheiro público. Sem planilha clara e projetos disponíveis para consulta, o contribuinte conhece o preço da festa, mas continua sem saber o cardápio nem quem responderá por eventuais atrasos.
No Pontal, pescadores, marisqueiras e comerciantes precisam ser ouvidos. Pesquisa acadêmica aponta preocupações com circulação e manguezal. Um portfólio estadual antigo mencionava R$ 4 milhões para “Orla e Atracadouro do Pontal”; agora a previsão chega a R$ 19,52 milhões. Não está demonstrado que os projetos sejam equivalentes, logo a diferença não comprova sobrepreço. A Sedurbi deve explicar escopo, extensão e custos. A Adema registra licença de instalação de maio de 2026, mas quais condicionantes protegerão o mangue e o acesso ao trabalho? Uma orla bonita no papel não pode atrapalhar quem vive dela, nem esquecer embarque, circulação e acesso dos trabalhadores à água.
No ginásio, a justificativa oficial reconhece precariedade, problemas de salubridade e acessibilidade, com possibilidade de demolições e novos ambientes. Por R$ 8,33 milhões, a população merece conhecer laudos, área reformada e solução para cobertura, instalações elétricas, sanitários e segurança contra incêndio. Quantos estudantes e atletas serão atendidos? Quem fará a manutenção e quando o equipamento estará disponível? Se havia riscos, quais providências foram tomadas para proteger os usuários? Trocar a fachada e deixar o problema dentro seria transformar política esportiva em cenário de fotografia, sem qualquer garantia de uso contínuo.
O Governo do Estado, a Sedurbi e a Prefeitura de Indiaroba precisam esclarecer suas responsabilidades e divulgar projetos, quantitativos, BDI, cronogramas, licenças e critérios de fiscalização. Também devem explicar quem acompanhará as medições e como a comunidade participará das decisões. Os documentos examinados não demonstram superfaturamento ou direcionamento, mas tampouco dispensam prestação de contas. Indiaroba merece a orla e o ginásio em condições dignas, não uma cerimônia de inauguração que termine antes da primeira manutenção. Com quase R$ 28 milhões previstos, transparência não é favor: é obrigação, antes da contratação e durante toda a execução.




