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Jeferson Andrade: o presidente que deixa o plenário para subir no palanque

Jeferson Andrade chega a 2026 tomando uma decisão grande: deixar a segurança da Assembleia Legislativa para tentar voar mais alto como pré-candidato a vice-governador na chapa de Fábio Mitidieri. Ele tinha uma reeleição praticamente encaminhada, com quatro mandatos na bagagem, presidência da Alese no currículo e trânsito fácil entre os colegas. Mas resolveu trocar a cadeira confortável pelo banco da frente do palanque. Em política, isso é coragem, cálculo e um pouquinho de vontade de sentir frio na barriga sem precisar andar de roda gigante na Atalaia.

Na Assembleia, Jeferson construiu a imagem de político discreto, articulado e bom de convivência. Foi presidente da Casa, soube conversar com governo, oposição, deputados, prefeitos e lideranças sem transformar o plenário em feira livre. É aquele tipo de parlamentar que entra numa sala cheia de problema, toma um café, escuta todo mundo e sai deixando a confusão menor do que encontrou. Em Sergipe, onde até reunião de condomínio pode virar crise institucional, isso já é quase um talento olímpico.

O ponto forte de Jeferson é justamente esse: equilíbrio. Ele não é deputado de grito, dedo na cara e discurso com espuma no canto da boca. Jeferson trabalha no bastidor, na conversa, no acordo e na costura. Isso ajuda muito para quem quer ser vice, porque vice não pode ser pavão de palanque nem jarro de decoração. Precisa saber ouvir, segurar crise, conversar com gente difícil e aparecer na hora certa. Nesse quesito, Jeferson tem currículo e jeito.

Mas o eleitor também precisa olhar com cuidado. O mesmo estilo calmo que ajuda pode virar cobrança. Jeferson é tão discreto que, às vezes, parece que passa pela política de sapato de borracha. Como presidente da Alese e aliado do governo, conduziu bem a Casa, mas raramente apareceu como voz de confronto ou fiscalização mais dura. Para aliados, isso é maturidade. Para críticos, pode ser excesso de silêncio. E em política, silêncio demais pode parecer sabedoria ou pode parecer que o microfone ficou desligado.

A aposta agora é mais pesada. Como vice, Jeferson deixa de responder apenas pelo próprio mandato e passa a carregar também o peso do governo Fábio. Se o governo vai bem, ele entra no bonde sorrindo. Se o governo balança, ele também sente a lombada. O eleitor sergipano precisa perguntar: Jeferson será um vice com função, presença e articulação ou apenas uma poltrona elegante no carro oficial? Porque sair de uma reeleição quase certa para entrar numa chapa majoritária é bonito. Mas, na urna, o povo quer saber se a coragem veio acompanhada de entrega.

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