O advogado Márcio Dória, filho de Propriá e defensor de Lula, resolveu trocar os livros de Direito por uma bola de cristal. “A perda de Lula significa adeus campus de Propriá”, afirmou. Respeito Márcio como profissional, mas sua previsão merece uma pergunta: onde estão as provas? Defender Lula é legítimo. Criticar Flávio Bolsonaro também. Agora, anunciar o possível fim de uma universidade sem apresentar elementos concretos é transformar especulação política em motivo de preocupação para a população.
Márcio deixou informações importantes fora do discurso. Em julho, a UFS aprovou a criação do Campus Politécnico de Propriá, com quatro cursos previstos. A Prefeitura disponibilizou um imóvel e o senador Alessandro Vieira anunciou a destinação de R$ 10 milhões ao projeto, contribuição reconhecida pelo prefeito Luciano de Menininha. A universidade envolve compromissos institucionais, não apenas discursos eleitorais. Afinal, campus universitário não é propriedade particular de presidente nem presente de aniversário de partido.
Outro detalhe que parece ter escapado à análise de Márcio é o Instituto Federal de Sergipe. Durante o governo Bolsonaro, a construção de sua sede em Propriá avançou e a unidade foi inaugurada em abril de 2022. A obra começou anteriormente, mas teve continuidade naquela administração. Esse histórico contraria generalizações sobre rejeição absoluta ao ensino público. A história tem um problema para certas narrativas políticas: guarda documentos e não costuma pedir autorização para contrariar discursos.
Márcio pode defender suas convicções, mas precisa aceitar questionamentos sobre o fundamento de suas previsões. Até agora, não foi apresentada declaração oficial de Flávio Bolsonaro anunciando o cancelamento do campus. Isso não garante o comportamento de um futuro governo, mas também não autoriza tratar o encerramento do projeto como consequência certa da eleição. A Justiça Eleitoral distingue opinião política de afirmação factual enganosa, e eventual irregularidade dependeria de provas e análise jurídica. Divergência política não é crime, mas também não transforma suposição em verdade.
Propriá merece mais que uma disputa de previsões presidenciais. Luciano de Menininha, Alessandro Vieira, Laércio Oliveira, Rogério Carvalho, a UFS e o governo federal podem ser cobrados pela concretização desse compromisso. Márcio também pode contribuir cobrando resultados. O povo de Propriá não precisa de uma bola de cristal nem de discursos apocalípticos. Precisa de orçamento executado, obras concluídas, professores e salas de aula funcionando. Universidade se constrói com planejamento e recursos públicos, não com previsões eleitorais de fim do mundo.




